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04/03/2013 | Um mês depois de incêndio na boate Kiss, povo exige justiça

Diversas manifestações foram registradas em toda a cidade de Santa Maria. População exige a apuração dos culpados pelo incêndio na boate

A cidade gaúcha de Santa Maria foi palco de manifestações na última quarta-feira (27) quando se completou um mês do incêndio na boate Kiss que causou a morte de 239 pessoas e deixou centenas feridas. A população exige que se faça justiça e que os responsáveis pelo incêndio sejam penalizados.

As primeiras homenagens foram feitas ainda na madrugada, diante dos escombros da casa noturna, por familiares e amigos que deixaram flores, cartazes e fotos no local.

A passeata denominada “Sair do luto e ir à luta” reuniu 2.000 pessoas na Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, e fizeram uma caminhada a noite até a igreja de Nossa Senhora de Fátima, onde uma missa em homenagem às vítimas foi realizada. 3.000 pessoas lotaram a Basílica de Nossa Senhora Medianeira, em Santa Maria durante a missa realizada em homenagem as vitimas.

Os manifestantes levavam faixas que pediam por justiça e os discursos cobravam providências mais enérgicas do poder público.

Para Mary Torres Ribeiro, organizadora do protesto, “Estamos cansados de tanta hipocrisia e corrupção. A caminhada de hoje manda o recado de que estamos de olhos bem abertos. O povo tem mais força do que imagina”, disse. “Precisamos sair do luto e ir para a luta. Queremos mostrar para as autoridades que estamos de olho”, afirmou Mary, que perdeu a prima, Flávia Maria Torres Lemos, na tragédia.

Centenas de pessoas vestidas de branco, com fotos de filhos, irmãos e amigos perdidos na tragédia estampadas em suas camisas, puxaram uma salva de palmas que durou 15 minutos, e não apenas um, como estava programado, e foi acompanhada por pessoas nas sacadas, janelas e calçadas de diversos bairros da cidade pela manhã.

O presidente da Associação de Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria e organizador do protesto, Adherbal Alves Ferreira, afirmou: “Os jovens que morreram na boate eram alegres. Um minuto de silêncio seria muito triste”, explicou Adherbal, que ainda afirmou “a gente se sente orgulhoso que as pessoas vieram. A gente precisava mostrar ao mundo nossa dor e, ao mesmo tempo, a alegria dos que morreram representadas no barulho”.

Enquanto familiares acompanhavam a missa, Rochester Lopes, que perdeu a irmã Pâmella Lopes, na tragédia, afirma que após o dia 27 de janeiro conheceu muita gente que também perdeu pessoas próximas. “Tem muita gente em situação parecida. O sentimento é de muita solidariedade e compaixão. Muitos familiares de outras vítimas foram lá em casa e, quando conversamos, falamos sobre como eram felizes”, disse Lopes.

Integrantes do movimento “Aqui bate um coração” distribuíram 239 corações pela cidade. Os corações, confeccionados com tecido, foram colocados em diferentes bairros. Além disso, uma faixa com um grande coração com a foto de todas as vítimas também foi colocada em frente à boate. Nela estava escrito a seguinte frase: “239 corações que nunca vão deixar de bater nas nossas memórias e em toda nossa vida”.

Um grupo de mães argentinas esteve em Santa Maria para prestar solidariedade a familiares e amigos das vítimas. Há oito anos, elas viveram o mesmo drama: um incêndio na boate Republica Cromagnon, em Buenos Aires, matou 194 pessoas e também deixou centenas de feridos.

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, utilizou fogos de artifício para realizar efeitos pirotécnicos durante a apresentação. Os fogos iniciaram um incêndio na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna. Mais de 200 pessoas ficaram feridas, 20 permanecem internadas, sendo três na UTI.

Dentre as irregularidades já apontadas pela investigação, consta a ausência de alvarás de funcionamento, o uso de materiais inflamáveis no isolamento acústico da boate, a obstrução da saída de emergência e exaustores, além da falta de equipamentos como sprinkelers.

 

 
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