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04/03/2013 | “Road show” em Nova Iorque reúne 350 executivos sem interesse em investir

O mais interessante no “road show” da privatização em Nova Iorque é que a plateia – 350 executivos de bancos e fundos - estava interessada em aumentar os juros no Brasil, não em investir, seja lá o que for, aqui. Daí o grande número de perguntas sobre a inflação, como se existisse no Brasil algum surto inflacionário que demandasse, na opinião deles, um drástico aumento de juros.

A caravana que foi a Nova Iorque levou desde o sr. Mantega até a senhora Magda, da ANP, que deitou falação sobre as oportunidades para as empresas estrangeiras da 11ª rodada de leilões do petróleo - e outras que ela já divisa no horizonte.

O sr. Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), esclareceu que “queremos atrair maior presença de estrangeiros nos leilões” de aeroportos, ferrovias, rodovias, lotes de petróleo, etc. Ainda bem que ele esclareceu essa palpitante questão.

Na plateia, um representante de um fundo asiático considerou pouco a rentabilidade, provavelmente inédita, oferecida por Mantega e companheiros de viagem. Depois, algum outro especulador firmou que era uma questão de princípio: eles consideravam absurda a ideia de que deveria haver algum limite para a rentabilidade. Haja pedágio!

Da mesma forma que um berro de um advogado de um fundo norte-americano sobre as empresas de eletricidade no Brasil: “eles [o governo] apontaram uma arma para a cabeça dos concessionários”. Não, leitor, ele não estava defendendo as estatais – pelo contrário, estava pregando outra questão de princípio da bandidagem: nenhum limite e nenhuma regulação para os monopólios.

A notícia sobre o evento publicada pelo “The Wall Street Journal” foi fiel aos acontecimentos, com o título - e mais os cinco primeiros parágrafos e os três últimos - dedicados aos juros baixos no Brasil e à inflação, supostamente alta (cf. Brazil Finance Minister Mantega: Inflation Control A Priority”,  The Wall Street Journal, 26/02/2013).

Ao todo, o “The Wall Street Journal” gastou três parágrafos, perdidos no meio do texto, com o road show de Mantega – numa matéria com 11 parágrafos, quase todos dedicados aos juros baixos no Brasil. Mas foi melhor que o “The New York Times”, que nem mencionou a presença de Mantega e outras autoridades em Nova Iorque.

Mantega jurou – ou quase isso – aos “investidores” que o governo nunca relaxará no combate à inflação (literalmente: “Inflation control is a priority... so we will never relax with inflation control”; e depois: “Inflation is slowing down but we will not be lax”).

Seria fácil concluir que, se o controle da inflação tem tal prioridade, mesmo quando a inflação está controlada, o investimento ou o crescimento não a têm. Mas, então, por que Mantega espera que essa malta se comova com suas dificuldades, depois de derrubar o crescimento, e passe a investir – ainda que seja com dinheiro do BNDES – ao invés de ganhar dinheiro com a especulação?

Sobretudo quando, por mais que o nosso governo subsidie os financiamentos para eles, jamais vai conseguir oferecer juros tão baixos quanto aqueles que existem hoje nos EUA ou Japão.

Além disso, diz o “The Wall Street Journal”,  “o banco central tem cortado as taxas de juro depois que o crescimento do Brasil caiu nos anos recentes, para em torno de 1% em 2012. Nas atas da última reunião sobre política monetária do banco central, entretanto, o banco reconheceu que a política monetária somente controla a demanda, mas não pode fazer nada para acelerar as anêmicas taxas de investimento do Brasil”.

Logo, conclui-se, baixar as taxas de juro foi besteira. Era esse o clima na plateia do “road show” - que prosseguiu com as perguntas mais fora de esquadro que se possa imaginar: algumas pareciam feitas por aquele americano da piada que, desejando passar as férias no Brasil, planejou visitar as Cataratas do Iguaçu no primeiro dia, a Floresta Amazônica no segundo, e o Cristo Redentor no terceiro dia...

É claro que o ofício dessa gente é ganhar dinheiro fácil. Sem dúvida, uma turma disposta a se apropriar do que os outros já construíram, desde que a preço mesquinho, mas sem vocação para construir nem uma venda de limonada sem açúcar.

Apesar disso, não foi pouco o que Mantega e outros ofereceram: retornos de 15% sobre investimentos bancados em até 80% pelo BNDES, com cinco anos de carência nos financiamentos, e taxas de juros até inferiores à inflação (TJLP + 1% ou 1,5% ao ano); dinheiro público para os bancos privados ganharem com a intermediação; isenção de impostos para “debêntures incentivadas” (comentário do sr. Luciano Coutinho: “Os bancos podem não apenas ser emprestadores, mas também ser os grandes estruturadores de produtos, de debêntures”); “sindicalização” dos bancos públicos e privados – ou seja, tornar os primeiros membros do cartel dos segundos nessa área; liberar parte do empréstimo compulsório dos bancos privados; “desafogar o BNDES, para ter mais concorrência”, ou seja, passar parte do dinheiro usado hoje pelo BNDES para os bancos privados.

Como o leitor pode notar, a maior parte dessas medidas, supostamente de incentivos ao investimento, implica em criar privilégios para os bancos privados, cujo cartel, no momento, é chefiado por apenas quatro bancos (dois estrangeiros: Santander e HSBC; um algo duvidoso: Itaú-Unibanco; e um nacional: Bradesco).

Ao que parece, os especuladores que estiveram na plateia do road show em Nova Iorque acham mais fácil aumentar os juros...

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 
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