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04/03/2013 | Tombini recua quanto à inflação e alta de juro às vésperas do Copom

Para CNI, elevar Selic é dar “um passo atrás”

Em palestra em Nova York, na segunda-feira (25), o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que a inflação está “resiliente” nos últimos meses, mas que os índices de preços ao consumidor devem recuar no segundo semestre deste ano. “A inflação dos preços de alimentação vai se moderar, assim como o crescimento do crédito”, afirmou.

A declaração feita às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), contribuiu para desfazer as especulações de aumento da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 7,25% ao ano. Com isso, as apostas de alta dos juros dos representantes do sistema financeiro mudaram, inclusive nos contratos de curto prazo, com vencimento no primeiro semestre.

Na semana anterior, Tombini sinalizou com aumento da Selic. Em entrevista ao The Wall Street Journal declarou que a prioridade do Banco Central é combater a inflação e não estimular o crescimento. “Nossa meta é a inflação, então temos que ajustar e calibrar nossas políticas para atingir nossos objetivos”, disse. “O crescimento não é uma meta do Banco Central”, ressaltou. Na mesma semana, Tombini não descartou um ajuste na política monetária, que vinha sendo de redução dos juros, conforme determinação da presidente Dilma Rousseff. “O BC tem comunicado sua estratégia, que permanece válida neste momento. Por outro lado, evidentemente isso não significa que os ciclos monetários foram abolidos, conforme tenho repetidamente mencionado em fóruns nacionais e estrangeiros”, disse em discurso durante evento do BC em Brasília.

A fala de Tombini de que o BC não está preocupado com o crescimento da economia e que o importante é a inflação estimulou a campanha dos especuladores pelo aumento dos juros. Os bancos J. Safra, JP Morgan e UBS alteraram suas projeções para 8,25%, 8,5%, e 8,7%, respectivamente.

Recentemente, após o IBGE divulgar o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro (0,86%), o maior patamar para o mês desde 2003 – principalmente por resultados sazonais no setor de alimentação -, houve uma grita geral pelo aumento aumentos dos juros.

A redução dos juros básicos após cinco aumentos seguidos em 2011, foi, sobretudo, resultado da ação da presidente Dilma. As declarações anteriores de Tombini, dando a entender que o BC faria um aumento de juros na reunião da próxima semana chocaram-se com essa atitude da presidente.

Apesar de Tombini ter agora se retratado, no mercado futuro os bancos e demais especuladores passaram a apostar numa alta dos juros para a reunião seguinte do Copom, que será realizada em 16 e 17 de abril.

“Temos vários fatores que vão ajudar a inflação cair”, assinalou o presidente do BC, destacando que o principal é a previsão de safra de grãos recorde para 2013, o que vai implicar na redução nos preços dos alimentos. “A inflação será menor no segundo semestre”, frisou. A “recuperação fraca da economia global também deve conter os preços”.

INDÚSTRIA

Na quarta-feira (27), em Brasília (DF), durante a reunião no Palácio do Planalto que comemorou os dez anos do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, defendeu que o governo não controle a inflação por meio do aumento dos juros ou da desvalorização do câmbio, o que, segundo ele, iria “contra o desenvolvimento da indústria brasileira”. “Se houver um repique da inflação e o país tiver que usar os juros para contê-la estamos dando um passo atrás”, afirmou.

Para Tombini, além da alta sazonal dos preços dos alimentos, o efeito da desvalorização cambial também pressionou a inflação em janeiro. Ele sublinhou que nos últimos nove anos a inflação ficou dentro da meta.

Fonte: Hora do Povo

 
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