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06/03/2013 | Taxa de investimento cai de 19,3% para 18,1% em 2012

Crescimento do PIB foi de apenas 0,9% no ano

O resultado do PIB de 2012 foi, como era inevitável com a atual política econômica, desastroso – mas os patifes da mídia e do submundo político, que se atiraram contra o governo usando esse péssimo resultado como pretexto, não têm, como se dizia antigamente, moral para criticá-lo, e não apenas porque há dois anos não fazem senão estimulá-lo a seguir o descaminho que levou a esse resultado.

O interessante é que suas recomendações redundariam num desastre muito maior.

Pois o que estão dizendo é que o governo gastou muito – quando apenas 18,81% (R$ 21,55 bilhões) dos investimentos foram liberados do Orçamento de 2012 (cf. Tesouro Nacional, “Relatório Resumido da Execução Orçamentária de Dezembro de 2012, Anexo I – Balanço Orçamentário”).

O que estão dizendo é que os salários no Brasil são muito altos, quando quase todo o aumento de 6,7% da massa salarial em 2012 deve-se ao aumento, obrigatório por lei, do salário mínimo - e o salário médio no Brasil, que estreita o mercado interno, continua a ser dos mais baixos no mundo (cf. OIT, “Informe Mundial sobre Salarios 2012/2013”, pág. 18).

O que estão dizendo é que falta dinheiro estrangeiro no Brasil, país em que, somente nos últimos dois anos, entraram, ao todo, US$ 236,252 bilhões – sem outro resultado senão a estagnação, a paralisia do crescimento.

O que estão dizendo é que o país tem que ser “mais aberto” às importações, como se não bastasse o avanço destas sobre a produção e o consumo internos, com a violenta desindustrialização que ora nos acomete.

O que estão dizendo é que temos de privatizar o que resta de público, isto é, exatamente o que impediu que fôssemos pilhados inteiramente por bucaneiros de outras plagas. Por falar nestes, apareceu até o “Financial Times” para pregar que o PIB vai ser uma maravilha se o governo “cortar os gastos com os salários do setor público” - como se o arrocho nesses gastos, que, em 2012, aumentaram menos que a inflação, apenas 3,7% em relação ao ano anterior (v. RREO cit.), não fosse exatamente um dos problemas que impediram o país de crescer mais no ano passado.

O que estão dizendo é que é preciso aumentar outra vez os juros – praga que, desde os cinco aumentos de juros consecutivos de 2011, juntamente com sua repercussão sobre o câmbio, e a queda no investimento público, nos lançou no atoleiro de hoje.

Naturalmente, o sr. Mantega somente prejudicou o governo com seu comentário sobre o resultado do PIB: “O mais importante é que a crise foi externa, não interna. Desta vez, a crise foi produzida lá fora e tivemos resposta muito boa à crise, mas é inevitável que a economia desacelere”.

Como ninguém mais, nem os irmãos Mendonça de Barros, consegue defender que os resultados ruins da economia brasileira têm algo a ver com “a crise externa” - pois todo mundo sabe que 0,9% é um crescimento abaixo até do encalhado Japão (1,9%) ou da pantanosa economia dos EUA (2,2%), e abaixo da média mundial de crescimento (3,2%), abaixo da média dos países emergentes e em desenvolvimento (5,1%) e abaixo da média dos BRICS (4%) -, Mantega foi tratado, universalmente, como um palhaço.

Pode ser, mas é o palhaço deles.

Ninguém, no governo - o que é um recorde não totalmente fácil, com Tombinis e Coutinhos competindo pelo troféu -, se submeteu mais aos ditames dessa canalha do que Mantega. Portanto, é problema deles como o tratam quando, pela falta de credibilidade, está deixando de ser útil.

O fato da indústria de transformação ter se reduzido a 13,3% do PIB - menos que a rudimentar categoria “outros serviços” (15,5% do PIB), que reúne, fundamentalmente, serviços domésticos, manicures, etc. - expõe o problema do nosso crescimento: a desindustrialização. Sem indústria não há desenvolvimento nem crescimento com alguma consistência.

A questão, como alguns relatos demonstram, é que, em 2010, quando o investimento público levou o país a um crescimento do PIB de 7,5%, muitos, provavelmente o conjunto dos empresários nacionais, projetaram investimentos para os dois anos seguintes, na expectativa de que o crescimento da economia continuasse naquele patamar.

Alguns desses empresários tinham planejado investimentos para duplicar sua capacidade produtiva - p. ex., ver as declarações do empresário Valdemir Dantas, dono da Latina, uma indústria nacional de eletrodomésticos (Valor Econômico, 04/03/2013, na matéria de Marta Watanabe, “Na era Dilma, 90% da alta do PIB veio do consumo”).

Como relata o empresário, diante do que aconteceu em 2011, ele cancelou esses investimentos, que implicavam na construção de uma nova fábrica, porque “ela [a nova fábrica] foi programada para atender a demanda crescente que imaginamos. (…) E por enquanto não tenho certeza desse crescimento”.

O que aconteceu em 2011 foi que Mantega derrubou os investimentos públicos, reduziu os gastos públicos de custeio e os financiamentos públicos – sem falar no arrocho salarial, com a negativa de aumentar o salário mínimo,  nos aumentos de juros, e na taxa de câmbio desarvorada que subsidiou violentamente os preços das importações, ao mesmo tempo que encarecia a produção interna.

A tese (?) de Mantega era que o país estava crescendo demais, que era necessário derrubar o crescimento, ou seja, um “ajuste fiscal mais forte, com crescimento menor das despesas do governo, o que abriria espaço para o setor privado aumentar investimentos” (essas palavras, de um notório ex-diretor do Banco Central, hoje banqueiro e “consultor”, apareceram na imprensa no último dia quatro, mas são quase idênticas às de Mantega em janeiro de 2011).

Como sabe qualquer um que não seja uma besta econômica, os investimentos públicos são, precisamente, como vimos em 2010, o maior estímulo aos investimentos privados. Com a derrubada do investimento público em 2011, longe de “abrir espaço para o investimento privado”, o que aconteceu foi a derrubada também do investimento privado – a história relatada pelo dono da Latina, a que nos referimos, é, a esse respeito, exemplar.

Em 2012, o investimento total (a FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo, isto é, os gastos com máquinas, equipamentos e construções) desabou: -4%. Mas este é um número que ainda subestima a débàcle, porque a construção civil participa em nada menos que 44% na composição desse índice.

Se considerarmos somente o investimento com máquinas e equipamentos, a queda foi de -9,1%.

Mesmo em 2012, o investimento público ainda não retornou ao nível de 2010 (v. HP, 20/02/2013), e isso de acordo com os números do próprio Mantega. Como consequência, a taxa de investimento (FBCF/PIB), que Lula levantara da casa dos 16%, onde haviam-na deixado os tucanos, para 19,5% (2010), caiu para 18,1% em 2012 - bem mais distante dos 25% que, recentemente, a presidente Dilma apontou como meta de seu governo.

Em 2012 a taxa de investimento da Índia foi  34% do PIB (a da China, 48%), o que é devido - não somente nesses dois países, mas em qualquer país que tenha uma taxa de investimento qualitativamente acima da simples reposição de máquinas depreciadas - ao investimento público. O que não quer dizer, necessariamente, que o investimento público seja sempre mais volumoso que o investimento privado (na Índia, o investimento público é 11% do PIB e o investimento privado é 23% - mas, sem o primeiro, não existiria a maior parte do segundo).

Algumas fontes do governo dizem que vão resolver o problema do investimento com dinheiro externo que será atraído, como diz o presidente do BNDES, com “privatizações através de concessões”. Além do grande triunfo Fernando Henrique, que derrubou a taxa de investimento de 20,85% do PIB (1993) para 16,20% (2002), resta ver se vão encontrar algum especulador querendo “investir”, pois não é essa a especialidade deles, mas sim a de se apropriar e remeter ganhos para o exterior. Há gente que acha possível “dirigir” o dinheiro dos especuladores externos através de “atrativos”, como em certas atividades antes afeitas à delegacia da moral e bons costumes. Mas são eles que compram ou colocam o seu dinheiro onde querem - sem se lembrar de coisas metafísicas como o interesse dos brasileiros.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 
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