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11/03/2013 | ¬ďA EGR reduzir√° os valores dos ped√°gios no estado¬Ē, diz Tarso

Para o governador gaúcho,“o que está em jogo vai além da questão dos pedágios em si. Trata-se, do tipo de relação entre Estado e sociedade”

Aqui os pedágios são caros, as cidades foram cercadas por pólos, os serviços são medíocres e as empresas que fecharam esses contratos têm lucros extraordinários”, afirmou o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em entrevista ao portal Sul21, na última terça-feira (5), sobre a criação da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

Segundo o governador uma empresa pública “pode baixar os pedágios de maneira significativa e prestar um serviço melhor do que o que é prestado atualmente”.

O governador ainda afirmou que vai rebaixar “os preços dos pedágios dos automóveis e rebaixar ainda mais os pedágios dos caminhões de carga”, e ainda destacou que os altos valores de mercadorias no estado são um “ônus que é pago hoje pela população de uma maneira surda e que não é levado em consideração pelo modelo atual (de concessões para o setor privado)”.

“Há custos de mercadorias, hoje, que são onerados por pedágios extremamente caros. Reduzindo as tarifas poderemos ter, automaticamente, uma interferência sobre a formação desses preços”.
Questionado sobre as diferenças entre o modelo atual e o que está sendo proposto agora pelo governo, Tarso disse que a diferença é que o modelo atual foi construído na época “áurea da influência do neoliberalismo e do Consenso de Washington sobre os governos”. “A repercussão desse ideário e dessa ideologia foi grande em países como o nosso, que naquela época estava sujeito a governos que viam com simpatia essas reformas de direita. Esse modelo correspondia a um certo ideal que permitiu a constituição de um bloco político em torno dele. Havia um problema real nas estradas que estavam mal cuidadas. A modelagem em torno da qual ele foi articulado reunia a defesa do Estado mínimo, do Estado ausente e o uso de recursos públicos para garantir a continuidade do pagamento da dívida. Além disso, dava a oportunidade de, em torno de grandes negócios, articular grandes empresas simpatizantes dessa posição política. O modelo foi gestado a partir dessa visão”, afirmou.

“Não podemos ter é um sistema de pedagiamento que redunde, como no caso atual, no favorecimento exclusivo do pólo privado e não do interesse público”, destacou o governador.

Tarso Genro enfatizou que esse fenômeno ocorrido no Rio Grande do Sul em torno dos pedágios “é, na verdade, um fenômeno político, pois engendrou um bloco de poder no Estado. Não foi por acaso que, dois anos antes de encerrar o seu mandato, a governadora Yeda queria prorrogar os contratos. Por que ela queria prorrogar? Será que era uma visão de interesse público que estava predominando? Na nossa opinião, não. Era uma certa antevisão de que seu governo, seu modelo, estava se esgotando, e queria garantir a permanência dos negócios envolvidos naquele processo. Não estou, aqui, falando de má fé. Estou falando, objetivamente, de visão de desenvolvimento e de visão política”.

Segundo o governador “a criação da EGR pelo nosso governo não é uma birra, mas uma concepção de mundo e uma concepção de Estado. Nós vamos demonstrar com a EGR que, com um custo menor para o cidadão, será possível prestar um serviço melhor. Essa é a grande resposta que se deve dar na minha opinião nesta disputa que existe entre privatização do Estado e cumprimento das funções públicas do Estado. Um exemplo elementar: hoje nós entregamos 24 tratores para escolas técnicas do Rio Grande do Sul. Você sabe há quanto tempo não eram entregues tratores para escolas técnicas no Estado? Vinte anos! Por quê? Isso é uma visão de mundo, uma visão de política e uma visão do sistema educacional”, afirmou Tarso.

Em um exemplo concreto, “você faz um programa como o Mais Água, Mais Alimento. As empresas que fabricam pivôs duplicam a sua produção e o seu número de empregos. Quando o Estado faz encomendas para a iniciativa privada através de políticas públicas de interesse social, isso gera uma dinâmica no capital que vai corresponder a uma necessidade regional. Isso está sob o nosso controle. Agora, as encomendas da GM não estão sob o nosso controle e nem as de nenhuma empresa multinacional que, quando se instala aqui, gera determinados efeitos”, assegurou.

Para o governador Tarso Genro “Na verdade, o que está em jogo vai além da questão dos pedágios em si. Trata-se, fundamentalmente, do tipo de relação entre Estado e sociedade que interessa à maioria da população e não apenas a determinados grupos econômicos”.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 
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