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13/03/2013 | BC quer desmoralizar Dilma armando subida da taxa básica de juro

PIB estagnado em 0,9% mais aumento de juro é uma mistura explosiva

A pretexto de combater inflação, BC atiça sanha por juros altos

Copom muda comunicado e aponta para alta da Selic

Graças à presidente Dilma e às manifestações populares que a apoiaram, os juros básicos – a taxa Selic, do Banco Central (BC) – desceram de 12,5% ao ano (julho/2011) para 7,25% (outubro/2012), onde se mantêm até agora. Em termos reais, isto é, descontada a inflação projetada para os 12 meses seguintes, significou uma queda de 6,8% (não somente a maior do mundo, mas o triplo da segunda colocada) para os 1,7% de outubro passado (quarta mais alta do mundo) e os 1,5% atuais (sexta mais alta).

Foi um avanço, uma conquista - e uma vitória da presidente Dilma. Ainda que esse 1,5% de taxa real esteja ainda acima do patamar médio internacional, que permanece negativo (-0,1%), não é possível subestimar o feito conseguido pela presidente, contra toda a mídia usurário-golpista e até contra a própria área do governo que cuida (ou deveria cuidar) do assunto.

É verdade que essa queda da taxa de juros não foi suficiente para reanimar a economia do país. Mas é claro que ela é uma condição necessária para o crescimento. Estamos, no momento, há seis trimestres – ou seja, 18 meses – com queda no investimento. Para reverter essa tendência é absolutamente necessário o aumento do investimento público, que ainda está abaixo de dois anos atrás.

Em resumo: o Brasil teve um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) praticamente nulo, para todos os efeitos, em 2012, mercê da política econômica do sr. Mantega, mas também do sr. Tombini – foi o BC que aumentou a taxa de juros básica cinco vezes seguidas em 2011, o que, junto com o manietamento dos investimentos públicos, derrubou o crescimento alcançado pelo presidente Lula em 2010.

Pois exatamente nessa hora – na verdade, já de algum tempo, mas nunca foi tanto o volume do charivari – desata-se no país uma campanha pelo aumento da taxa de juros básicos (e, portanto, de todas os outras taxas de juros). São incrivelmente poucos os interessados em aumentar os juros dentro do país: bancos, pistoleiros free-lance do mercado financeiro, comentaristas “econômicos” da mídia, “economistas” e “consultores” que se caracterizam por amamentar-se nas tetas dos bancos, e alguns animais mais pesados: bancos e fundos sobretudo norte-americanos, mas também europeus e japoneses.

Não há nenhum descontrole da inflação. O professor Yoshiaki Nakano, na terça-feira, apresentou uma interessante descrição de como a elevação da inflação de uma média de 5,35% (2004 a 2010) para uma média de 6,14% (2011/2012) tem relação direta com a destruição de capacidade produtiva industrial provocada pelos juros altos e câmbio distorcido, que fez o valor adicionado da indústria de transformação perder “participação no PIB, de 19,2%, em 2004, para apenas 13,3% em 2012” (v. Nakano, “Baixo crescimento e inflação elevada”, Valor Econômico, 12/03/2013).

Pretender, portanto, que a solução para esse pequeno aumento da inflação seja aumentar a taxa de juros, e, portanto, entrar no caminho de destruir mais capacidade produtiva da indústria, é apenas provocar, aí, sim, mais inflação. Pois, do artigo de Nakano o que se pode depreender é que o aumento na média da inflação foi causado pelo baixo crescimento – ou, em outras palavras, pela destruição de capacidade produtiva industrial pelos juros e câmbio - por consequência, hipervalorizado -, o que redundou numa hipertrofia dos serviços no PIB. Em 2012, os serviços foram 68,5% do PIB contra 26,3% da indústria (13,3% da indústria de transformação) e 5,2% da agropecuária.

Além disso, há outra questão: não havendo descontrole inflacionário, baseado em que ciência o BC (ou o CMN, que estabelece a meta) acha que a inflação no Brasil tem que ser 4,5% ou seja lá que número for? Desde quando devemos renunciar ao crescimento por uma taxa de inflação que só beneficia bancos e multinacionais? Pelo contrário, é a taxa de inflação que necessita estar subordinada ao crescimento, como sempre aconteceu em nossa História – e por isso fomos o país capitalista que mais cresceu entre 1930 e 1980, meio século de crescimento acelerado.

No entanto, a diretoria do BC juntou-se rapidamente aos terroristas da inflação e pregadores do aumento de juros. Depois de meses repetindo que “o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada”, o Copom, isto é, a diretoria do BC, no comunicado do último dia 6, mudou para “o Comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

Não poderia haver melhor sinalização para todos os abutres – externos e internos – dos antros financeiros, e mais a sua mídia, para aumentarem a pressão pelo aumento de juros. Nem foi da diretoria do BC que partiu a ideia: antes da reunião do Copom, “comentaristas econômicos” da mídia publicaram que o trecho “por um período de tempo suficientemente prolongado” seria cortado do comunicado que sairia depois dessa reunião.

O motivo imediato também era claro: no dia 24 de fevereiro, Tombini, em declarações a Erin Mccarthy e Brian Baskin, do “The Wall Street Journal”, prometeu claramente um aumento de juros (“Nossa meta é a inflação, então temos que ajustar e calibrar nossas políticas para atingir nossos objetivos. O crescimento não é uma meta do Banco Central”).

A entrevista causou frisson no “mercado” financeiro, onde foi dado como certo que os juros aumentariam na reunião do Copom que se encerraria no dia 6.

Porém, no dia seguinte, Tombini disse que “temos vários fatores que vão ajudar a inflação cair; a inflação será menor no segundo semestre; a “recuperação fraca da economia global também deve conter os preços”; e que “a inflação dos preços de alimentação vai se moderar”.

Ficou claro que o BC não aumentaria os juros no dia 6 e a pressão foi transferida para o dia 17 de abril, último dia da próxima reunião do Copom.

Entretanto, os especuladores, diante da derrota no dia 6 – que atribuíram à intervenção da presidente Dilma – queriam adiantar o expediente para o dia 17 de abril. Assim, apareceu nos jornais que o comunicado da reunião do Copom, que até então nem havia começado, iria omitir a expressão “por um período de tempo suficientemente prolongado”. Foi exatamente o que o BC fez.

Assim, pipocaram artigos essencialmente afrontosos à presidente. Consultando os jornais da terça-feira, 12/03, encontramos, numa consulta rápida, 33 matérias terroristas sobre a inflação, pregando o aumento dos juros na próxima reunião do Copom. Quase todas tratando a presidente com desrespeito.

Um desses artigos garantia que o problema “é conter a demanda forte demais”, tão forte que está consumindo o lucro das empresas (só pode ser porque o povo está comendo muito, pois não há demanda das empresas, já que o investimento está caindo) e clamava: “O Brasil precisa de uma liderança firme para implementar as benditas reformas estruturais”. O fato de que o crescimento do consumo das famílias está caindo há 8 trimestres (em termos anuais: de +6,9% em 2010 para +3,1% em 2012) e ser o único elemento que impediu uma catástrofe econômica, não abalou o autor, um economista reacionário bastante celebrado em certos meios de má-fama: para aumentar os juros serve qualquer falsificação. Vale até pedir uma ditadura.

Um gênio jornalístico publicou um artigo com o título: “Mercado aposta na alta dos juros” (grande novidade!). Outro: “Juros futuros recuam com apostas em alta da taxa Selic em abril” (brilhante esse recuo para avançar em abril). Mais uma matéria diz que “economistas consultados pelo Banco Central já esperam que a taxa básica dos juros comece a subir” (o BC consultou economistas de banco para saber o que eles esperam do próprio BC – e descobriram que eles esperam que os juros subam! Papagaio!).

Evidentemente, aumentar os juros quando o crescimento está em 0,9% ao ano, equivale à tentativa de jogar o investimento, o crescimento, e, por consequência, o emprego e o consumo, numa modalidade econômica da fossa das Marianas.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes


 


 

 
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