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05/06/2013 | Importações avançam e balança acumula déficit em cinco meses

De janeiro a maio déficit comercial é de US$ 5,4 bilhões

Os resultados da produção (física) industrial, divulgados pelo IBGE na manhã de terça-feira, não parecem modificar o quadro econômico anterior, infelizmente. O resultado positivo é uma consequência do peso excessivo da indústria automobilística. Devido à destruição de setores inteiros da indústria, esse cartel multinacional ocupa hoje um espaço suficiente para alterar substancialmente, por si só, o resultado dos índices de produção industrial. Certamente, não foi pelo aumento espetacular na produção da indústria do fumo (+12,3%) ou de sabonetes (+9%), que a produção industrial avançou 1,8% em relação ao mês anterior. Quanto à indústria de bens de capital (máquinas e equipamentos), o principal é que a comparação foi com uma base muito deprimida: esse setor caiu -11,1% no primeiro quadrimestre de 2012; que tenha crescido 13,4% no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior, não é um prodígio – também, infelizmente.

Mas esses resultados são referentes a abril – enquanto já sabemos o resultado da balança comercial de maio, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) na segunda-feira.

Aliás, o quadro mais interessante do resultado de abril da produção física, é aquele que o IBGE divulgou quanto ao “quantum” - a quantidade física – do comércio exterior do país. Por ele sabemos que de janeiro a abril as importações aumentaram, em quantidade, +10,9% em relação ao mesmo período de 2012, enquanto a exportação total caiu -2,4%.

Mas isso, chamamos outra vez a atenção, é referente à quantidade física (“quantum”), não ao valor – que, nesse caso, é a soma dos preços das exportações e/ou importações.

Entretanto, quanto ao último, mais importante do que constatar que maio teve o pior resultado deste mês no balanço do comércio exterior (exportações menos importações) desde 2002 – o que é verdade – ou que o período janeiro-maio teve o maior déficit desde que a atual “série histórica” começou a ser aferida, em 1993 (o que também é verdade), é saber por quê.

Vejamos o resultado das importações no período janeiro-maio - a fonte de todos os dados é a publicação da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC) da balança comercial brasileira de maio:

2010: US$ 66,480 bilhões;

2011: US$ 86,091 bilhões;

2012: US$ 91,600 bilhões;

2013: US$ 98,683 bilhões.

Ou, em percentagem, as importações dos cinco primeiros meses de 2013 aumentaram 48,44% (+US$ 32,203 bilhões) em relação ao mesmo período de 2010. E aumentaram US$ 7,083 bilhões em relação ao ano passado.

O que foi importado? As principais categorias de produtos importados foram: “equipamentos mecânicos”, “equipamentos elétricos e eletrônicos”, “automóveis e autopeças”, “produtos químicos”, “plásticos”, “adubos e fertilizantes”, “produtos siderúrgicos” e “produtos farmacêuticos”, além dos “combustíveis e lubrificantes”.

Vejamos a trajetória do saldo (ou déficit) comercial:

2010: US$ 5,613 bilhões;

2011: US$ 8,523 bilhões;

2012: US$ 6,261 bilhões;

2013: US$ -5,392 bilhões.

Observemos que a diferença entre o saldo comercial de 2012 (US$ 6,261 bilhões) e o déficit de 2013 (US$ -5,392 bilhões) é um abismo, uma verdadeira Fossa das Ilhas Marianas, de US$ 11,653 bilhões.

No entanto, as exportações, no mesmo período, passaram de US$ 97,861 bilhões (2012) para US$ 93,291 bilhões (2013), ou seja, decresceram US$ 4,57 bilhões.

O que foi que exportamos? Principalmente o seguinte (entre parênteses, a variação do preço internacional desses produtos em relação a maio do ano passado): soja em grão (-1,1%), minério de ferro (+5,7%), petróleo em bruto (-18,5%), carne de frango (+16,7%), farelo de soja (+12,6%), café em grão (-26,4%), óleo de soja em bruto (-12,7%), suco de laranja (-7,4%), açúcar em bruto (-20,3%), açúcar refinado (-19,5%), celulose (-2,4%), alumínio (-4%), carne bovina "in natura" (-7,7%) e etanol (-12%).

Estamos exportando produtos básicos ou fracamente industrializados e importando produtos industrializados, com crescente deterioração dos termos de troca (a propósito desta última questão, v. FUNCEX, “Boletim de Comércio Exterior – Índices de Preço e Quantum”, abril 2013, p. 4).

Não vamos, hoje, abordar o problema geral das contas externas, que estão em risco pela política de açular o dinheiro estrangeiro para desnacionalizar a economia, com o consequente aumento das importações de componentes (bens intermediários) e das remessas de lucro para as matrizes das multinacionais (v. HP, 24/05/2013). Mas há problemas que não são gerais, pelo contrário, dizem respeito à própria balança comercial. Como observa a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (FUNCEX):

As variações positivas observadas nas importações de Bens de capital e Bens intermediários, em todas as comparações, chamam a atenção. (…) Esses crescimentos surpreendem, uma vez que os dados da evolução da produção industrial doméstica não apontam ainda para uma retomada mais consistente, e as variações mensais informadas pelo IBGE mostram-se oscilantes (...). Desde setembro de 2011, contudo, a importação de Bens intermediários não mais acompanha a evolução da produção industrial e, nos últimos meses, o “descolamento” é ainda mais nítido: os índices anualizados da indústria permanecem em queda enquanto as importações de Bens intermediários tendem a crescer. O fenômeno merece um exame mais atento, mas descartada a hipótese de uma prolongada fase de recomposição de estoques de insumos importados, ele sugere fortemente a possibilidade de que esteja ocorrendo substituição de Bens intermediários domésticos por similares importados, num contexto em que a produção industrial local ainda não consegue deslanchar” (FUNCEX, “Informativo Balança Comercial – Fluxos de Comércio Exterior Brasileiro”, ano III, n° 25, maio de 2013, p. 2, grifo nosso).

Em outras palavras, as importações, que, segundo o ministro Mantega, seriam indicativas de um novo ciclo de investimento, poderiam ser apenas a destruição de mais alguns elos internos da cadeia produtiva – isto é, a ainda maior substituição de bens intermediários, e de bens de capital, fabricados internamente, por importados. Portanto, uma continuação da política de Fernando Henrique, redundando em mais desindustrialização. Pelos resultados da indústria e pelas queixas dos empresários nacionais, diríamos que a chance é grande de que isso esteja ocorrendo – com a consequente repercussão na balança comercial: um déficit de US$  US$ 5,392 bilhões.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 
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