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12/06/2013 | ANP admite que liberou múlti Chevron sem esclarecer as causas do desastre de Frade

A diretora-executiva da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, não esconde suas preferências. Depois de se gabar de ter interditado 20 plataformas da Petrobrás alegando falta de manutenção, ela comentou, em entrevista, a liberação da americana Chevron, causadora de um dos maiores vazamentos já ocorridos nas bacias brasileiras, para voltar a operar no Campo de Frade, em Campos. "A Petrobrás culpa as paradas pela queda na produção. É bom ter um culpado, não é?", diz a diretora da ANP de forma sarcástica contra a estatal, em entrevista para o portal e jornal "Brasil Econômico".

Já em relação à multinacional, ela admitiu que a liberou para operar mesmo não tendo resolvido os graves problemas causados por ela em Frade. "Autorizamos a produção, mas ela não tem direito de perfurar, nem produzir de todos os horizontes. Só tem direito de perfurar poços rasos, sob nossa orientação", disse ela, fingindo ser rigorosa com a múlti, que, apesar de ser responsável por um dos maiores desastres ambientais do país, tem classificação A da ANP para participar do leilão do pré-sal. "Estamos fazendo isso", disse ela, porque, "vocês se lembram que foram dois incidentes. O primeiro a gente avaliou, sabe as causas. O segundo processo ainda está fechado, as causas ainda não estão totalmente esclarecidas". Ou seja, a diretor da ANP liberou a Chevron mesmo sem saber o tamanho do estrago que ela causou.

A diretora voltou a comemorar o leilão do pré-sal e disse que o que está sendo ofertado "é uma coisa muito, muito grande". "Este campo (Libra) é tão grande que, se for bem trabalhado, pode chegar a 15 bilhões de barris. Eu disse que pode ser entre 8 e 12 bilhões, mas não está proibido chegar a 15 bilhões de barris. Se tiver um fator de recuperação eficiente, é possível", informou. A diretora da ANP deixou claro que sua prioridade não é a exploração planejada do petróleo pela Petrobrás e o refino interno do óleo extraído, com a conseqüente ampliação do setor petroquímico nacional. Pelo contrário, veja o que ela disse: "Em dez anos, a gente vai estar exportando 1,5 milhão de barris por dia", declarou a presidente da ANP. Enfim, ela quer exportar, pelas multinacionais, óleo bruto e continuar a importar os valiosos derivados. O roteiro da "doença holandesa" que, na aparência, ela cita na entrevista como algo que não deve ser repetido aqui.

Fonte: Hora do Povo/Sérgio Cruz

 

 
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