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16/08/2013 | Para Kerry, o Brasil tem é que ser grato por EUA nos espionar

Em visita ao Brasil, o secretário de Estado norte-americano abrilhantou e inovou a diplomacia. Disse que os EUA espionaram mesmo e vão continuar. “Esperamos que entendam e aceitem”, declarou

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, não poupou malabarismo grosseiro para defender na terça-feira, em visita a Brasília, a espionagem feita pelo governo americano contra diversos países, inclusive o Brasil. Ele disse que as operações clandestinas de seu governo vão continuar e, sem cerimônia, afirmou que elas "ajudaram também a proteger muitos países do mundo, como o Brasil". "Esperamos que entendam e aceitem", destacou com cinismo e arrogância.

Autoridades, cidadãos e empresas brasileiras foram bisbilhotadas pelo governo americano durante anos e o secretário vem aqui dizer que fez a espionagem e que vai continuar fazendo para "defender a segurança dos EUA e do Brasil". "Vamos continuar a ter esse diálogo e vamos continuar tendo diálogo para ter certeza de que seu governo entende perfeitamente e está de acordo com o que precisamos fazer para garantir a segurança não apenas para os americanos, mas para brasileiros e para as pessoas no mundo", disse Kerry.

Hilário, se não fosse um disparate. Além de estapafúrdia, a alegação de Kerry sequer é original. Pego em flagrante, já houve ladrão alegando que roubou a carteira da incauta vítima apenas para alertá-la do perigo. Só faltou o secretário de Obama exigir do governo brasileiro um pagamento em troca do serviço prestado.

Se nossa segurança dependesse dos EUA, estaríamos fritos. Além do mais, que "segurança"? Esse fato só evidencia que o que ameaça o Brasil é o governo norte-americano. Temos muito que proteger: nosso pré-sal, as riquezas da Amazônia e do nosso subsolo. E, portanto, os Estados Unidos são os últimos interessados na nossa segurança e os primeiros de quem temos que nos defender. É um escândalo os EUA tentarem convencer os outros que espionam para o nosso bem.

O episódio da espionagem norte-americana contra o Brasil é o mais grave atentado à soberania do país. Diante da cobrança chinfrim, feita pelas autoridades locais, que pediram "mais transparência" aos EUA, Kerry se sentiu no direito de ironizar, até com um trocadilho, o que disse o ministro Patriota. "Deixe-me ser transparente com vocês: não posso discutir questões operacionais, mas posso dizer que o Congresso aprovou uma lei depois do 11 de Setembro, quando fomos atacados pela Al-Qaeda, e começamos um processo de tentar entender os ataques antes de nos atacarem", assinalou, deixando claro que não vai rever nada. E ainda "recomendou" que o governo brasileiro se "concentre em pontos comuns da agenda bilateral dos dois países".

Kerry achou espaço ainda para argumentar que a ação criminosa de espionagem generalizada do governo mais arrogante do mundo é "democrática e legal", tentando justificar o fascistóide Ato Patriótico, que suspende a constituição norte-americana e os direitos democráticos dos cidadãos norte-americanos.

Isso, na verdade, é o que se poderia esperar de alguém que, há alguns meses, expressou que a América Latina é o quintal dos Estados Unidos. Em discurso realizado diante do Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes, em abril deste ano, Kerry declarou que a "América Latina é nosso quintal (...) temos que aproximarmos de maneira vigorosa".

Essa "aproximação" americana na região, apregoada pelo secretário, sem dúvida, deve ser completamente desinteressada, meramente filantrópica. Principalmente depois que a região resolveu se unir e seguir seu caminho, sem a ingerência externa, e, também, depois que o Brasil descobriu o pré-sal. O interesse deles é só nos ajudar, acreditem.

Na verdade, com suas declarações, Kerry está tentando ressuscitar a velha Doutrina Monroe, que desde 1823, serviu de guia para o assalto dos Estados Unidos à América Latina. Sua única visão é impor a vontade e influência política e econômica norte-americana aos vizinhos do sul.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, informou que o Brasil busca ter mais informações sobre quem e o que foi espionado pelos EUA no país. Já o Senado, não satisfeito, criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias da espionagem de dados pelos EUA e só está aguardando sua instalação. No mês passado, Patriota já afirmara que os esclarecimentos dados até então pelos EUA sobre sua atuação ilegal no Brasil eram "insuficientes". As revelações de espionagem foram feitas com base em informações do ex-técnico que prestou serviços à CIA, Edward Snowden, e hoje é violentamente perseguido pelo governo norte-americano.

Comportamento apaziguador teve o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Em audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o assunto, na quarta-feira (14), Bernardo defendeu que o tema deve ser levado a instâncias internacionais, à ONU, sem dizer que providências mais firmes tomar em relação a essa violação da soberania brasileira. Bernardo chegou ao ponto de dizer que a interceptação de comunicação privada não é problema nosso, é um "problema mundial que extrapola as discussões bilaterais". E fez uma constatação óbvia: "Essas espionagens não são apenas para combater terrorismo. Envolvem questões de espionagem industrial, comercial e diplomática".

Paulo Bernardo disse até que aceitou um convite do vice-presidente Joe Biden para enviar uma comissão técnica para debater o tema e relatou o que aconteceu por lá. Segundo ele, os Estados Unidos não vão informar o método para espionar o país, mas afirmaram que não têm colaboração de operadoras que atuam no Brasil nessa tarefa. E ele acreditou.

Fonte: Hora do Pov/Sérgio Cruz

 
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