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28/08/2013 | Dilma remove Patriota após seu subordinado ofender a Bolívia

 Dilma afasta ministro que importou ladrão boliviano para agradar EUA

Para agradar os EUA, violou as leis internacionais e se 
prestou a serviçal de condenado pela Justiça boliviana

O foragido da Justiça boliviana Roger Pinto Molina, réu em 21 processos por diversos crimes, e que responde a acusações que vão desde roubo do dinheiro público até desacato e conspiração, entrou ilegalmente no Brasil com a ajuda de um diplomata e um senador brasileiro e a participação de dois fuzileiros navais e cinco agentes da Polícia Federal do Brasil, segundo relato do próprio senador Ricardo Ferraço, envolvido na fuga ilegal. Assim que soube da operação clandestina envolvendo o Itamaraty, a presidenta Dilma Rousseff cobrou explicações do chanceler Antônio Patriota, que acabou exonerado do cargo.

O ruralista e ex-senador (já que abandonou o cargo para fugir da Justiça) Roger Pinto ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia desde que pediu asilo político ao Brasil. Infelizmente o caso já começou mal, com Antonio Patriota concedendo asilo ao ladrão boliviano.

ROUBO

O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas para Roger Pinto, porque responde a processos judiciais no país. No sábado (24), o ex-parlamentar deixou a embaixada com o auxílio ilegal da representação diplomática brasileira. Utilizando um carro diplomático brasileiro, o meliante boliviano entrou clandestinamente no Brasil, ajudado de maneira ilegal por Eduardo Saboia, um dos auxiliares de Patriota, responsável pela embaixada brasileira em La Paz. Após a fuga, Pinto chegou no domingo ao Brasil por Corumbá (MS), onde se encontrou com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Usando um jatinho de um empresário do Espírito Santo, os dois voaram em seguida para Brasília.

A Justiça boliviana condenou o senador por casos de corrupção e roubo de verbas federais como governador de Pando e diretor da Zona Franca de Cobija (2000), onde utilizou irregularmente recursos da Universidade Amazônica de Pando. Em junho passado, ele foi condenado a um ano de prisão por "abandono do dever" e "dano econômico ao Estado". Foi condenado também em primeira instância "por ter agido contra a Constituição e as leis, por prevaricação, e por causar prejuízos econômicos ao Estado de mais de 11 milhões de pesos bolivianos (US$ 1,6 milhão)", de acordo com um relatório da Promotoria.

Durante seu mandato como diretor da Zona Franca-Cobija (ZofraCobija) em 2000, Pinto concedeu recursos de maneira irregular à Universidade Amazônica de Pando, indica o relatório. E também foi acusado pela Justiça de envolvimento no "massacre" em 2008 de indígenas durante um conflito político em Pando. Segundo a advogada das vítimas do massacre, o senador participou de um esquema para inocentar o ex-prefeito de Porvenir, Leopoldo Fernandez pela morte de 11 agricultores.

Comportamentos como esse do Itamaraty já eram previsíveis, tendo em vista a clara tendência de bajulação às posições dos EUA em diversas questões, após a entrada de Patriota no cargo. O ministério das Relações Exteriores do Brasil já vinha deixando a desejar desde que o ministro Celso Amorim deixou o cargo. A tímida reação aos casos da espionagem ao Brasil e no caso do absurdo desrespeito europeu a Evo Morales eram mostras disso. As posições de Patriota nos dois casos foi de servilismo aos EUA. A política externa altiva, praticada durante o governo Lula e que vinha colocando o Brasil numa posição de respeito e admiração em todo o mundo, foi sendo abandonada por Antônio Patriota.

Em relação às ameaças de agressão à Síria, por exemplo, Patriota chegou a papaguear o governo norte-americano em suas invencionices sobre armas de destruição em massa. "[Bashar Al] Assad tem armas de destruição em massa na Síria. Existem suspeitas de que [sejam] biológicas. Então tem que ver com quem é que ficam essas armas. Você imagine, numa revolução inteiramente caótica na Síria, o potencial desesta-bilizador que isso pode ter", afirmou, certa feita. Patriota nunca condenou as ações de mercenários armados e teleguiados pelos EUA e decidiu até retirar a embaixada brasileira daquele país. Ao contrário do que fez com o bandido Molina, Patriota recusou sumariamente conceder asilo ao herói Edward Snowden, que denunciou a espionagem americana ao Brasil.

O jornalista Fernando Pinto foi quem melhor descreveu o comportamento da chancelaria brasileira neste episódio, bem como sua relação com outros fatos ocorridos recentemente. "Ficou tatibitati no episódio das escutas dos Estados Unidos e na absurda negativa de pouso para o avião presidencial de Evo Morales na Europa – em ambas as situações obrigando a Presidenta Dilma Rousseff a ter de intervir, pessoalmente – e com 20 dedos em cada mão ao reagir à detenção absurda do brasileiro David Miranda, sem qualquer acusação, no aeroporto de Heathrow, em Londres", diz o jornalista, no blog Tijolaço.

A fuga de Molina causou indignação na Bolívia. "Na nota diplomática nós expressamos nossa profunda preocupação com a transgressão do princípio de reciprocidade e cortesia internacional. Por nenhum motivo o senhor Pinto poderia deixar o país sem o salvo-conduto", disse o chanceler boliviano David Choquehuanca. Segundo ele, é necessário ter uma explicação oficial do Brasil sobre o tema porque "foram violadas normas nacionais e internacionais". "O amparo da imunidade diplomática não pode transgredir normas nacionais e internacionais facilitando neste caso a fuga, a saída irregular do país do senador Pinto. Pode ser um precedente ruim (...) se é que nós, amparados pela imunidade diplomática, vamos permitir esses atos ilegais", prosseguiu o chanceler boliviano.

O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano Talavera, pediu explicações ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Em nota, o Itamaraty informou que abrirá um inquérito para apurar as circunstâncias da entrada no Brasil do ex-senador boliviano. O diplomata Eduardo Saboia, principal responsável pela retirada do ex-senador, foi afastado do cargo e chamado para dar explicações sobre seu grave desvio de conduta.

EXTRADIÇÃO

O Ministério Público da Bolívia estuda pedir a extradição do senador Roger Pinto Molina, disse no fim de semana o procurador-geral interino da Bolívia, Roberto Ramirez. De acordo com a Agencia Boliviana de Información (ABI), agência de informações da Bolívia, Ramirez disse que "como Ministério Público, estamos, atualmente, analisando tudo o que se refere à normativa internacional e à normativa nacional para ver quais são as opções". O pedido de extradição deve ser formulado pelo governo boliviano nos próximos dias, informou a chancelaria boliviana.

"Esta foi uma ação sem precedente na história da diplomacia brasileira", denunciou o deputado Cláudio Puty (PT-PA), que esteve recentemente em missão na Bolívia. "Como pode um diplomata patrocinar a fuga de um criminoso comum, à revelia do governo brasileiro, escondido do governo boliviano e com o apoio explícito da direita brasileira, que já o aguardava na fronteira do país?", questiona Puty. Para ele, é inadmissível que o Brasil, que não aceitou o pedido de asilo político do ex-agente da CIA, Edward Snowden, corra o risco de colocar em xeque as relações com um país amigo para ajudar um criminoso comum como Roger Pinto. "Pelo que consta, o Brasil não reconhece a Bolívia como um governo de exceção. Portanto, essa ação foi um atentado à soberania boliviana que precisa ser punida exemplarmente", acrescentou o parlamentar.

O Itamaraty será assumido interinamente pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). Patriota irá para lá.

Fonte: Hora do Povo/Sérgio Cruz

 

 
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