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04/12/2013 | Em doze meses, gastos com juros atingem R$ 230 bilhões

Segundo BC, os R$ 15 bilhões arrecadados com o bônus do leilão do campo de Libra, serão desviados para alcançar a meta do Governo Central de R$ 73 bilhões de superávit primário

Ao mesmo tempo em que o governo Dilma assinou um “pacto fiscal” com a base aliada para supostamente evitar gastos, o setor público (governo federal, estados, municípios e estatais, exceto os grupos Petrobrás e Eletrobrás) gastou R$ 17,717 bilhões com juros em outubro. No acumulado dos dez primeiros meses, foram torrados com juros nada menos que R$ 194,923 bilhões. Em 12 meses, o desperdício de dinheiro público com juros totalizou R$ 230,356 bilhões, o equivalente a 4,89% do PIB, segundo números divulgados pelo Banco Central na sexta-feira (29/11).

Enquanto isso, por exemplo, o governo manobrou para evitar a votação do PL 7.495/06, que fixa um piso de R$ 950 para os agentes comunitários de saúde, sob o pretexto de que causaria um impacto anual de R$ 2,5 bilhões. Como se vê, quando se trata de matéria que favorece o povo é “bomba fiscal”. Agora, o estúpido gasto com juros – encher os cofres dos bancos, em bom português – é chamado pomposamente de “solidez fiscal”.

Aliás, as entidades dos agentes de saúde ressaltam que com a aprovação do piso de R$ 950 o impacto sobre as contas da União não passaria de R$ 740 milhões ao ano, infinitamente inferior ao que vai para o ralo dos juros mensalmente.

Nesse vale tudo para garantir o dinheiro da agiotagem, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, assegurou que há “perspectiva favorável” para que seja alcançada a meta do Governo Central (BC, Tesouro e Previdência) de R$ 73 bilhões para o superávit primário, o desvio de recursos orçamentários para o pagamento de juros. Segundo ele, com a entrada de R$ 15 bilhões do bônus de assinatura do leilão de Libra e com recursos através da reabertura de parcelamentos especiais de dívidas com a União. De janeiro a outubro, o superávit primário do setor público somou R$ 51,153 bilhões.

De acordo com levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil é o terceiro país que mais gasta com juros da dívida pública, atrás apenas da Grécia, em uma crise sem fim e arrochada pela Troika, e do Líbano.

O Brasil é um dos poucos países que tem essa anomalia chamada de superávit primário, que é um dinheiro garantido dos banqueiros. Dos países que formam o chamado Brics, é o único. Deve ser por isso que os demais, Rússia, Índia China e África do Sul, têm crescimento superior ao nosso.

Esse gasto alucinado com juros implica em corte de recursos para melhorar os serviços de saúde, educação e transporte público. Só este ano foram seis aumentos consecutivos da taxa básica de juros (Selic), chegando a 10% ao ano, o que em termos reais (descontada a inflação) dá 4,1%, a maior do mundo. Mesmo com o desperdício de dinheiro público, o superávit primário não tem sido capaz de fazer frente à totalidade de gasto com juros. Em outubro, o déficit nominal chegou a R$ 11,528 bilhões e no ano (até outubro), R$ 143,769 bilhões, em um círculo vicioso, de aumento dos juros, crescimento da dívida pública, aumento dos juros...

Em outubro, a dívida mobiliária federal interna, fora do Banco Central, totalizou R$ 1,934 trilhão (41% do PIB), com 31,3% de títulos prefixados; 15,2% dos títulos vinculados à taxa Selic; e 0,4% dos títulos indexados a câmbio. Já a dívida bruta do Governo Geral (governo federal, INSS, governos estaduais e municipais) alcançou R$ 2,779 trilhões em outubro, 59% do PIB.

Assim, o governo transformou a política monetária em um verdadeiro latifúndio financeiro para meia dúzia de vampiros - e a economia, o emprego e o bem-estar da população que se danem. Como a política de Mantega, Tombini & Cia é um verdadeiro fracasso, o governo a substitui pelas ações do João Santana.

Fonte: Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 
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