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30/04/2014 | Alta de juros provoca pior déficit da história nas contas externas

Sob o pretexto de controlar a inflação

Política de atrair capital e produtos de fora com juro e câmbio inflados está arruinando o país

A política de juros altos e o rombo nas contas externas

Enxurrada de dólares, atraídos pelos sucessivos aumentos de juros, causam devastação econômica

A mídia, em geral, destacou, no relatório que o Banco Central publicou na sexta-feira sobre as contas externas, o déficit, entre janeiro e março, de US$ 25,186 bilhões nas transações correntes (fundamentalmente, saldo do comércio externo menos remessas de recursos para fora do país).

Realmente, é o maior déficit nas contas externas da história do país num primeiro trimestre, maior que os déficits da ditadura nos anos de estertores finais. Para que o leitor tenha uma ideia da magnitude desse rombo, toda a exportação de manufaturados do Brasil, no mesmo período, chegou a US$ 18,189 bilhões (cf. Secex, “Balança Comercial Brasileira Janeiro-Março 2014”).

No governo, alguns comemoraram porque o rombo foi coberto pela entrada de US$ 34,012 bilhões de dinheiro externo no mesmo período. Em suma, querem manter essa situação pré-explosiva até as eleições à custa de juros altos, sangrando o país, e, depois, seja o que o Diabo quiser. Além daqueles que creem no déficit como sinal de que temos uma “poupança externa” infinita. O que apenas demonstra que os irresponsáveis, os que não têm sentimento de pátria, e os bobocas, existem.

Esses dólares – uma entrada somente superada pela do mesmo período de 2011, e pela mesma razão – entraram no país para ganhar com os aumentos de juros promovidos pelo governo, através do Banco Central. É assim que o governo “equilibra” as contas externas: cavando um rombo maior ainda, pois essas entradas de dólares logo se transformarão em remessas para fora.

Mas, assim é: pode-se resumir, de forma bastante precisa, a política econômica do governo Dilma – exceto um breve interregno logo abandonado pela adesão ao outro lado – do seguinte modo: juros altos são a solução de tudo, a verdadeira panaceia econômica universal. Fora isso, e das suas decorrências, não há política econômica nesse governo.

Keynes escreveu que “a justificativa para uma moderadamente alta taxa de juros foi achada, até aqui, na necessidade de fornecer uma suficiente indução à poupança. Mas (…) a extensão da poupança efetiva é necessariamente determinada pela escala do investimento e a escala é aumentada por uma baixa taxa de juros (...). Daí que nossa melhor vantagem está em reduzir a taxa de juros” (J.M. Keynes, “The General Theory of Employment, Interest and Money”, Book VI, Chapter 24, II, grifo do autor). Notemos que Keynes está argumentando contra uma taxa de juros “moderadamente alta”. Aqui, há uma taxa estupidamente alta, e a única expressão de Keynes que a presidente conseguiu decorar não foi a famosa “eutanásia do rentista”, mas o – citado fora do contexto - “espírito animal”. Não é um acaso, para quem não tem outra política econômica, senão os juros no espaço.

Esses juros altos nada têm a ver, ao contrário do que dizem os seus sequazes, com o controle da inflação. Eles mais correspondem ao servilismo que nega a capacidade dos brasileiros de empreender algo mais complicado do que roteiros de turismo para “bwanas” vindos dos EUA e outros paraísos temperados. A função dos juros altos é atrair dólares vadios - numa época em que a casta dominante nos EUA emite trilhões a cada ano, fornecidos aos seus especuladores com juros negativos -, provocando a desnacionalização da economia, que eles confundem com “investimento”. Afinal, nós não sabemos fazer a “gestão”, então, para que ser proprietários do nosso próprio país? O resultado, a cada dia, é um governo que se afunda na caduca política collorida-tucana, ao trair seus compromissos e infelicitar o país.

Daí, a estagnação, a destruição de setores inteiros da indústria nacional, o tratamento à indústria de transformação como um setor secundário, talvez desprezível, da economia; a proclamação do subemprego por conta própria como ideal “classe média” (?!), o arrocho salarial do funcionalismo, a campanha insistente contra os aumentos reais de salário no setor privado; as inanidades sobre um suposto “mercado de capitais”, como se a produção tivesse que ser reduzida ou eliminada para não atrapalhar a especulação; a propaganda sub-reptícia ou ação declarada contra a Petrobrás, Eletrobrás, Infraero e outras estatais; a rendição às teles, e a qualquer monopólio estrangeiro, e o financiamento a esses monopólios com o nosso dinheiro, sobretudo através do BNDES.

É óbvio que essa entrada cavalar de dólares, atraídos pelos sucessivos aumentos de juros, é uma devastação da economia. Não se trata apenas – o que já seria insuportável para a economia de um país que necessita crescer com urgência – da depredação e drenagem de recursos para o exterior, que são consequência dos ganhos com o diferencial de juros (os juros reais básicos nos EUA estão em -1,52%, enquanto os do Brasil estão em +4,42%, portanto, um diferencial de +5,94, o que é impossível, para um especulador, obter em qualquer outro lugar - e significa que pedaços do país estão sendo triturados e convertidos em forro para os cofres dos rentistas).

Sob esse aspecto, subtraindo as viagens internacionais, que até há pouco eram o bode expiatório do governo, foram extraídos do país US$ 215 bilhões e 534 milhões líquidos entre janeiro de 2011 e março de 2014, sem contar o superfaturamento – ou “overpricing” - das importações das multinacionais, que, a julgar por vários estudos, constitui o montante maior do que é drenado do país para o exterior.

Os juros altos – tão altos que a taxa real básica deixa as de outros países para trás com vários, na maioria das vezes inúmeros corpos de vantagem, para não falar da média internacional, que é negativa (-1,2%) - distorcem a taxa de câmbio, pois a invasão de dólares, à cata de ganhos com juros, força a valorização artificial do real, tornando mais baratos os produtos que entram no país com preço em dólar (ou seja, as importações), quando esses preços são convertidos em reais - e mais caro o que é produzido diretamente com preço em real, isto é, a produção interna, especialmente a das indústrias nacionais.

O resultado é que temos, hoje, uma indústria nacional arrasada ou sob garrote vil, com vários elos de cadeias produtivas destruídos - e uma série de maquiadoras multinacionais, que agregam muito pouco valor, criam muito pouco emprego, pois sua atividade é montar os componentes que importam a preços absolutamente extorsivos de suas próprias matrizes, repassando os preços aos consumidores - e cuja contribuição para o crescimento é negativa, por não haver outra política sobre elas, senão a de deixá-las fazer o que quiserem e lhes dê na telha – algo que não existe nem nos países em que têm sede.

Assim, por sua influência sobre o câmbio, os juros altos acabam por aumentar a margem que as multinacionais auferem com as importações que fazem de suas matrizes ou de outras filiais do mesmo grupo. Não é pouca coisa, pois o chamado comércio intra-firma é, hoje, 40% do comércio exterior do país. (cf. Samuel Pinheiro Guimarães, “A União Europeia e o fim do Mercosul”, Carta Maior, 26/04/2014).

É isso o que explica a tremenda importação de bens intermediários, próxima a 50% do total das importações - o que significou, no ano passado, US$ 106,502 bilhões gastos nessa categoria de produtos, para importações totais de US$ 239,621 bilhões. Nem as importações de petróleo e derivados (US$ 40,502 bilhões) chegaram perto das importações de bens intermediários. Note-se que a indústria nacional do Brasil, historicamente, sempre se caracterizou por sua produção de bens intermediários – bens para consumo de outras indústrias. Mas, agora, tornamo-nos um país importador desses bens, por parte e para uso das maquiadoras multinacionais, um país, portanto, com indústria cada vez mais reduzida – e, portanto, na medida em que este setor chave para o crescimento é manietado e atrofiado, o país imerge, há mais de três anos, em uma estagnação que já atingiu o limite do insuportável.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 
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