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05/05/2014 | Eduardo Campos afirma ter projeto diferente de Aécio Neves

 O pré-candidato do PSB à presidência da República e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse há pouco ter um projeto distinto ao do senador Aécio Neves (PSDB-MG), de base política e social, apesar de reconhecer afinidades entre ambos.

Na última sexta-feira, em encontro com empresários em Comandatuba (BA), Aécio Neves afirmou “não ver” como, a partir de 2015, PSDB e PSB não estarem “juntos” em um mesmo “projeto de construção de um novo país”.

“São projetos distintos, de base política e base social distintos", disse Campos, que esteve neste início de tarde em Seminário Nacional da Juventude do PPL sobre Educação, na Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ: “Nós estamos oferecendo ao Brasil caminhos que não são a mesma coisa”, afirmou.

Para uma plateia de cerca de 200 estudantes, e em um discurso perto de 20 minutos, o pré-candidato à presidência procurou frisar a sua identidade política. “Uma coisa é véspera de eleição, quando um quer se parecer com o outro. Mas na verdade, o que nos diferencia, é a vida, é a atitude, a caminhada, com quem a gente anda e quem a gente sabe que são os nossos compromissos”, afirmou.

Campos destacou discussões relacionadas à maioridade penal, atuação do Banco Central e regras trabalhistas como pontos em que há “posições claras” de divergência entre ele e Aécio. Entretanto, Campos ponderou que há, sim, semelhanças entre os dois pré-candidatos.

“Isso não impede que tenhamos a capacidade de ver o que nos une no ponto de vista de interesses”, afirmou Campos a jornalistas. Como semelhanças entre ambos, Campos destacou a busca por valores democráticos e respeito aos direitos humanos.

Questionado se haveria uma possibilidade de se aliar a Aécio Neves em um cenário de segundo turno, Campos falou que não trataria deste assunto.

“Eu não vou tratar de segundo turno por respeito a nossa pré-candidatura e aos companheiros que estão comigo e também por respeito aos outros. Passaria a ser uma agressão com as outras candidaturas”, afirmou.

Inflação

Eduardo Campos defendeu também há pouco maior transparência na política de reajustes de preços dos combustíveis no país. Segundo ele, o controle federal do valor dos combustíveis na bomba, além de prejudicar a Petrobras, prejudica o próprio país.

“Não se pode administrar a inflação a partir do preço do combustível. O preço do combustível tem que ser o que ele é, aqui e no mundo”, afirmou Campos, durante o Seminário Nacional da Juventude do PPL sobre Educação, na Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ. “Esse tipo de postura está fazendo com que, no final, o povo brasileiro pague a conta”, afirmou.

O pré-candidato também afirmou que o governo não está dando a atenção necessária a indústria de etanol e citou casos de fechamento de usinas.

Campos discursou por cerca de 20 minutos para uma plateia de aproximadamente 200 estudantes, que nos intervalos do seminário entoavam gritos como “fora Dilma” e também de protestos contra a atual atuação do governo no setor de petróleo. Dentre os gritos, os estudantes afirmavam que o Brasil entregou o pré-sal para estrangeiros.

No ano passado, o governo realizou o primeiro leilão sob regime de partilha de produção, quando ofertou o campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos.

O pré-candidato evitou detalhar sua posição sobre o tema leilões e disse que o debate sobre o programa de sua candidatura vai discutir essa questão.

“O programa não é feito por uma força política só, é feita a partir de um entendimento”, afirmou. “O PPL vai levar essa posição que revela aqui com toda clareza, contrária ao leilão [de partilha] da forma como ele foi feito. No nosso conjunto tem pessoas que não acham que essa é a questão central. Nós vamos fazer esse diálogo”, afirmou.

Campos também defendeu que o atual governo não está sendo bom para a Petrobras. segundo ele, o governo “tirou a Petrobras do trilho” e a deixou “submetida a interferência politiqueira”. Campos destacou que a companhia pode ser um agente importante de estímulo à economia.

Fonte: Marta Nogueira/Valor

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