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20/08/2014 | Para empresário brasileiro, atual política de câmbio e juros prejudica a indústria nacional

Em entrevista ao HP, o engenheiro e dono das “Escovas Fidalga”, empresa fundada em 1954, Manoel Canosa Miguez, conhecido por Manolo, fala de sua luta diária para manter e ampliar a produção brasileira de uma empresa que “está hoje entre as primeiras no ranking mundial das mais modernas em seu setor”, mas que, segundo Manolo, “vive num ambiente de competição desfavorável, fruto de uma política econômica que favorece de todas as maneiras os importados em detrimento das empresas brasileiras e da produção nacional”. “Não queremos nada de especial, queremos apenas igualdade de condições para poder produzir e vender nossos produtos”, disse o empresário ao jornalista Sérgio Cruz.

Hora do Povo: Como o senhor avalia o atual governo e sua política industrial?

Manolo: “Nesta fase do governo Dilma Rousseff, nós tivemos o pior governo dos últimos anos no que diz respeito à indústria brasileira. Excluindo alguns setores privilegiados tipo automotivo, linha branca, ou seja, setores possuidores de grande poder de lobby, o resto foi deteriorado. E deteriorado por que? Primeiro, a abertura aos importadores. Essa história de que você, abrindo para os importados, cria condições de segurar a inflação, na verdade o que ocorre é que entram produtos de qualquer jeito, de qualquer setor, de qualquer área, em prejuízo da produção e do emprego no Brasil e isso não interfere com a inflação.

HP: E as perspectivas para o futuro?

M: Não vemos uma luz no longo prazo. Temos o maior juro do mundo, somos campeões dos juros, muita burocracia, uma carga tributária pesada e não vemos solução à vista para esses problemas. Não vemos uma atitude por parte dos políticos e aí o que acontece? Você vai se desmotivando como empresário. Você vai parando de investir. Não há como investir, tendo uma capacidade ociosa grande em seu parque produtivo, fruto dessa situação e desses problemas. E olhe que as empresas médias brasileiras como a nossa têm hoje uma tecnologia atualizada, porque as empresas médias brasileiras, que são as esquecidas, comparadas com as empresas mundiais, são as que estão mais avançadas tecnologicamente. E isso não é apenas de falar. Eu fui à China e constatei que as fábricas deles são muito mais atrasadas tecnologicamente em relação às nossas. O problema é da porta para fora. A produtividade nossa é boa, nossa tecnologia é boa. Mas da porta para fora a situação fica insustentável”.

HP: Por que o senhor acha que o governo está insistindo na manutenção dessas taxas de juros?

M: Ele acha que a taxa de juros vai conter a inflação. Isso é um equívoco. Tem é que aumentar a produção. Ele acha que o povo vai consumir menos e você vai ter a inflação controlada. Isso não é verdade. O dólar também está represado. Qualquer estudo leva o dólar a R$ 2,80 ou R$ 3,00. Uma hora isso vai estourar, talvez depois das eleições.

HP: A participação da indústria de transformação está chegando a 13% do PIB. Um dos índices mais baixos da história, provocado por essa política. Como o senhor avalia isso?

M: “Já fomos 25% do PIB. Qualquer país em crescimento não pode ter menos que 20%. Nós temos muito o que crescer. Esse índice hoje, na verdade, é menor ainda. Os fabricantes de máquinas hoje estão importando os componentes e colocando apenas o selinho da fábrica brasileira. Isso vale para a parte eletroeletrônica, para a parte de máquinas e outras. Às vezes nem montam mais aqui, só põem o selinho. Isso está acontecendo muito, principalmente no setor de máquinas.

HP: Os economistas neoliberais dizem que tem que reduzir a demanda. O senhor está dizendo o contrário, que temos que aumentar a produção...

M: Se você não tiver emprego, você não tem consumo, não tem demanda, Isso não dá resultado. Países que investiram em produção, a China por exemplo, fez o que tinha que ser feito. Nós temos que tirar o chapéu e aprender com eles. Eles investiram primeiro em manufaturados e agora já têm produtos de alta tecnologia. O mesmo aconteceu com o Japão e a Coreia. Não acredito nessa política de contenção dos investimentos e da demanda. Temos que colocar gás na economia. O país que está em crescimento tem que ter um pouco de inflação, não pode ter inflação zero. Agora, a questão dos juros, não tenha dúvida, isso é resultado do lobby bancário.

HP: E a indústria, consegue sobreviver com esse câmbio, esses juros e o escancaramento aos produtos importados?

M: Eu não acho que tem que proibir importação. O importado tem que entrar. Mas ele tem que entrar com o preço igual ao brasileiro. A minha escova custa R$ 8,00 e a escova de fora entrou aqui a R$ 8,00, quem vai ganhar é a melhor, a que tem mais qualidade. Agora, você ganhar por preço aí é sacanagem. Tem o juro mais alto, o subsídio da câmbio. Os preços dos produtos chineses ficam 35% mais baratos, mas essa diferença é causada pela valorização cambial em relação à moeda chinesa, por exemplo, que é de 40%.

HP: A China manteve esse câmbio para se proteger da enxurrada de dólares americanos que foi despejada no mundo para desovar seus produtos. O Brasil não fez isso...

M: Exatamente. Que você ponha os seus produtos aqui dentro. Mas temos que ter defesas comerciais. Se os preços são aproximados, vence a melhor. Mas os produtos importados chegaram aqui com diferença de preço de 10 para 1. Produtivade nós temos. Mas a falta de uma política justa de proteção comercial, de uma política antidumping, de igualdade de condições, acabou com vários setores da indústria nacional. Em vez de defender a indústria nacional, o que se fez foi abrir para os importados. Hoje o parque produtivo de máquinas, por exemplo, está defasado, desatualizado de conhecimento porque quando você desativa a indústria, o conhecimento vai embora. O seu líder de fábrica vai ser taxista, o outro vai ser outra coisa, e assim por diante. O dono sai para outras atividades e as fábricas vão se fechando. E o conhecimento vai todo embora.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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