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24/10/2014 | A fantástica “onda conservadora” e a epidemia dos caras de pau

Com as dificuldades de Dilma para enfrentar o mais fraco candidato que a direita já lançou no Brasil – os falecidos Eduardo Gomes e Juarez Távora eram quase pais da Pátria, se comparados a Aécio – apareceu, na tagarelice política e nas seções quase jornalísticas que se dedicam a fugir dos problemas, um novo fenômeno, mais extraordinário ainda porque não tem causas, não tem responsáveis ou culpados, e nem mesmo teve presságios anunciatórios.

Vinda, como diz o outro, ao modo de um raio que cai de um céu azul, baixou a "vaga direitista" ou "onda conservadora" ou "arrastão reacionário" - ou lá que nome usem.

Os adeptos da tese inventaram algo inédito na história mundial: depois (dizem eles) de 12 anos de governo "de esquerda", "progressista", "popular", onde o povo nunca foi tão bem tratado, nem melhorou tanto a sua vida, nem comeu tanto, e até deixou de ser trabalhador para ser "classe média", de repente apareceu um tsunami de direita que ameaça acabar com tudo isso.

Deve ser a tese da ingratidão intrínseca das massas. Ou do masoquismo genético do povo brasileiro, que prefere sofrer do que comer.

Senão, como entender essa "onda"?

Mas, por que a ingratidão seria só em relação à Dilma?

Lula saiu do Planalto mais aclamado pelo povo do que Wallace Beery no papel de Pancho Villa – e isso é próximo de um recorde.

Getúlio saiu do governo, em 1945, depois de um golpe de Estado – que foi tramado porque seus mentores e executores temiam que ele fosse candidato nas eleições que já estavam marcadas, o que, ainda que não fosse a intenção do presidente, significaria uma vitória certa de Getúlio, mesmo após 15 anos no poder. Aliás, foi o que aconteceu, apenas cinco anos depois.

Somente Dilma, através de eleições, e mesmo com boa parte da mídia apoiando sua candidatura, está ameaçada de escorraçamento por um candidato sem mérito algum - exceto o incidental, ou acidental, de ser neto de Tancredo Neves - e passível de muitos reproches.

Será que não passa pela cabeça dos teóricos da "onda conservadora" que o problema é, exatamente, que sua candidata, ideologicamente, é a imagem especular do adversário? Que é ridículo pretender – como fez Dilma no domingo – que ela e Aécio representam dois "projetos" distintos, quando qualquer um pode ver que as similitudes são muito maiores que as diferenças? Ou, o que é outra forma de dizer a mesma coisa, que o "projeto" de Dilma não é o mesmo de Lula?

Certamente, essa "vaga direitista" somente foi inventada para incutir nas pessoas que não há alternativa, senão apoiar Dilma, mesmo que elas não queiram. Convenhamos que a marketagem da candidata já foi mais proficiente na duvidosa – e amoral - arte de enganar os incautos. Agora, somente está plagiando a marketagem de Serra em 2002, garantindo o juízo final para o dia seguinte ao da eleição, se a candidata não for eleita.

Antes que haja reclamações: longe de nós a ideia de que Aécio tem alguma coisa a ver com Lula, adversário de Serra em 2010. Mas nisso todos concordamos: portanto, nenhuma novidade há. Aqui, o importante é que Dilma também nada tem a ver com o Lula de 2003, nem com o Lula de hoje - exceto o utilitarismo algo sem caráter, que, na primeira oportunidade, transforma-se em injusto descarrego de responsabilidades sobre o ex-presidente (como disse o professor Ildo Sauer: "Eu conheço a senhora Rousseff há pelo menos 14 anos. Ela se notabiliza por procurar um culpado sempre que aparece um problema. Essa é a competência dela").

Entretanto, talvez alguns não tenham mesmo reparado que estão apoiando uma candidata "de direita", no máximo (que máximo!) neo-tucana. Gente distraída é o que mais tem no mundo. Em atenção a esses amigos, vamos falar sério, porque essa "onda conservadora" está perto da galhofa - ou coisa pior, pois não é pouco grave, nem muito inteligente, considerar o povo como se fosse composto de imbecis que oscilam para a direita, com a única finalidade de contrariar os seus benfeitores.

Primeiro: com a virada de Dilma à direita – ou seja, com sua traição aos compromissos assumidos na campanha de 2010 – é evidente que isso somente poderia beneficiar... a direita. Ou será que Dilma aderiu à direita para beneficiar a esquerda?

A quem poderia reforçar politicamente – e não só politicamente - um governo de privilégios aos bancos, às teles, e, de resto, às multinacionais; que acabou com o PAC, paralisou as obras de Lula e pôs no lugar as privatizações; que aumentou e manteve os juros além da órbita de Plutão, destruiu a indústria, desnacionalizou a economia como só os tucanos fizeram e bloqueou os investimentos públicos, derrubando o crescimento do país para o pior da História da República - e um dos mais baixos do mundo? Um governo que, não menos importante, bajulou a mídia reacionária até a indignidade e atropelou a lei da partilha, transformando-a num simulacro da lei de concessões de Fernando Henrique, para abrir o pré-sal à Shell e à Total, contra a Petrobrás.

Que caráter teve a gestão do sr. Mantega na Fazenda, a do sr. Paulo Bernardo nas Comunicações, a do sr. Pimentel no Comércio Exterior (pois em relação ao Desenvolvimento e à Indústria ele estava se lixando) - ou a do sr. Tombini no Banco Central? Qual a diferença essencial entre esses próceres do governo Dilma e os seus correspondentes tucanos?

Evidentemente, com esse espaço aberto – e aberto por Dilma – a reação e o atraso não precisaram de "onda" etérea nenhuma para crescer. Claro que não seria a esquerda – isto é, o progresso – que colheria essa plantação reacionária. Substituir o trigo pelo joio não pode aumentar a colheita de trigo. Portanto, não espanta que tantos candidatos, inclusive do PT – estamos nos referindo aos melhores, não aos neo-tucanos - tenham sido derrotados. Eles foram traídos por sua própria candidata à presidente.

O outro desfecho possível para um caso desses seria uma insurreição popular – e quase Dilma conseguiu provocar uma.

A exumação de Aécio, já batido em meio à disputa, e a campanha fascista contra Eduardo Campos, e, depois, Marina Silva, foram a continuação desse carreirismo da traição – parafraseando adequadamente a expressão de Epitácio Caó sobre Carlos Lacerda.

O que vai acontecer nas urnas, nós, evidentemente, não sabemos. Certamente, Dilma, no momento, está colhendo algo diferente do que pretendia. Mas assim é a vida. Ela não é vítima de "arrastão conservador" algum. Apenas, foi ela que abriu espaço para a direita se aboletar, tirando da cova um cadáver atrás do outro.

A responsabilidade pela promoção de Aécio a pretendente real (Deus!) à Presidência é inteiramente sua - e de seu círculo. Nem o PSDB achava que a candidatura de Aécio era para valer. Aliás, o PSDB mesmo é que nunca levou a sério essa candidatura. Ou será que alguém acha que Fernando Henrique, Serra, Alckmin e outros iam deixar que Aécio fosse o candidato, se vissem alguma possibilidade de ganhar as eleições? Não era um segredo: houve até textos tucanos defendendo a acumulação de forças para as eleições de 2018 ou mesmo avante. No entanto, os tucanos não contavam com Dilma...

Além disso, há algo mais: a maioria dos eleitores resistiu – e vai continuar resistindo - a esse festival de reacionarismo. Vejamos o resultado do primeiro turno:

Dilma: 43.267.668;

Aécio: 34.897.211;

Marina: 22.176.619;

Luciana Genro: 1.612.186;

Pastor Everaldo: 780.513;

Eduardo Jorge: 630.099;

Levy Fidelix: 446.878;

Zé Maria: 91.209;

Eymael: 61.250;

Mauro Iasi: 47.845;

Rui Pimenta: 12.324;

Abstenção: 27.698.199;

Em Branco: 4.420.488;

Nulo: 6.678.580;

A soma da votação de Marina, Luciana Genro, Eduardo Jorge, Zé Maria, Mauro Iasi, Rui Pimenta, mais os brancos e nulos, 35.669.350, é superior à votação de Aécio. E a soma destes com a abstenção (63.367.549) é superior à votação de Dilma.

Esse resultado, agregado desta forma, é muito mais real que as percentagens baseadas na anacrônica e antidemocrática legislação eleitoral, que só considera como "válidos" os votos dados a candidatos. Como se não fosse válida – porque é um direito - a escolha de nenhum candidato...

Mas, para que aecistas e dilmistas não se queixem, abordaremos a questão também de outro ponto de vista.

Aécio teve +1.764.928 no último primeiro turno do que Serra no primeiro turno de 2010, um aumento de +5,33%.

No entanto, dificilmente se pode dizer – ou não se pode dizer, em absoluto – que esses 1,7 milhão de votos a mais tenham vindo de uma "virada à direita" dos eleitores.

Por quê?

Porque Dilma teve -4.383.766 votos do que em 2010, uma redução de -9,2%.

Ao mesmo tempo, os votos nulos, em branco e as abstenções aumentaram +4.583.377, um aumento de +13,4% em relação ao primeiro turno de 2010.

Não é apenas o fato de que o aumento percentual dos votos nulos, em branco e abstenções foi duas vezes e meia maior que o aumento dos votos de Aécio em relação a Serra.

O mais significativo é que a queda de Dilma (-4.383.766 votos) é equivalente ao aumento dos votos nulos, em branco e abstenções (+4.583.377 votos).

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 
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