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18/10/2011 | “Quem decide se o Brasil tem muitos partidos é o eleitor”, diz Miguel Manso, fundador do PPL

*Entrevista publicada no site da revista Época.

 

Por alguns dias, o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, foi o mais novo partido brasileiro. Não mais. Na terça-feira (4), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a criação do 29º partido do Brasil. O Partido Pátria Livre (PPL) foi fundado por um grupo político ligado ao jornal Hora do Povo e a militantes do antigo MR-8, movimento revolucionário armado que atuou contra a ditadura militar. Nos últimos anos, esse bloco esteve ligado ao PMDB. Mas agora ganhou sua própria sigla. O partido afirma que defende um programa de governo nacional e desenvolvimentista.

 

ÉPOCA conversou com um dos fundadores do partido, o presidente do diretório paulista do PPL, Miguel Manso. Segundo Manso, existe uma crise de representatividade nos partidos políticos atuais, resultado de “uma política de globalização forçada, passando por cima dos interesses das nações”. Para enfrentar essa crise, o PPL se apresenta como um partido que defende a soberania nacional e o desenvolvimento da indústria brasileira.

 

 

ÉPOCA – Por que criar um novo partido?


Manso – Nós vivemos um momento de crise, e a mobilização popular demonstra a falência dos partidos, a dificuldade de representar a população. Do nosso ponto de vista, essa realidade é resultado de uma política de globalização forçada, passando por cima dos interesses das nações, da financeirização excessiva do mundo que coloca em risco os avanços sociais também aqui no Brasil. Apesar das conquistas sociais, hoje o Brasil paga a maior taxa de juros do mundo. Nós consideramos que a solução é o aprofundamento da identidade nacional. Por isso criamos um novo partido, com um projeto nacional e desenvolvimentista, para lutar pelo aprofundamento da soberania nacional frente a esse cenário de crise na Europa e nos Estados Unidos, e porque de certa maneira nós não percebemos nos atuais partidos uma defesa tão forte quanto estamos apresentando.

 

 

ÉPOCA – Uma crítica comum é que o Brasil já tem quase 30 partidos. Não é suficiente?


Manso – Esse debate existe. Tem gente que acha que só precisa existir um partido, ou dois, que 20, 30 partidos já é muito. O fato concreto é que os partidos são como as pessoas. Eles nascem, crescem, e se não tiverem capacidade de se desenvolver, eles morrem. Já houve no Brasil o maior partido do Ocidente, o Arena. Foi o maior partido, e acabou. Ainda recentemente vemos que alguns partidos estão em crise, o PSDB e o DEM se enfraqueceram com a criação do PSD. Assim como alguns partidos morrem, outros partidos nascem. Quem decide se o Brasil tem muitos ou poucos partidos é o povo, o eleitor.

 

 

ÉPOCA – Quais são as linhas gerais do programa do PPL?


Manso – Nós estamos sintetizando nosso programa em cinco questões, que pra nós são cruciais para nortear o país nesse momento de crise. O primeiro ponto é o fortalecimento do mercado interno, por meio de uma política de emprego e de aumento do salário mínimo. A segunda questão é diminuir a taxa de juros – o país não suporta, não aguenta a taxa de juros que vem pagando. A terceira é promover o desenvolvimento industrial com base nos investimentos públicos e privados orientados para as empresas genuinamente nacionais. Temos que concentrar os recursos do Estado para empresas que sejam brasileiras.

 

A quarta questão seria fazer uma política de desenvolvimento dos setores de tecnologia de ponta, que são indispensáveis para a conquista de nossa independência política e econômica plena. Investir em microprocessadores, biotecnologia, TI [tecnologia da informação], enfim, nesses setores que permitem ganho qualitativo da produção. E a quinta questão é a prioridade total e absoluta à educação e à saúde gratuita de qualidade para todos.

 

 

ÉPOCA – Como foi o processo de criação do PPL? Quando começou a coleta de assinaturas?


Manso – Nós o fundamos em 21 de abril de 2009, aqui em São Paulo. Fizemos um ato de fundação, com a presença de mais de mil pessoas. Depois começamos a organização dos diretórios regionais. Hoje o partido está organizado em 23 Estados. Iniciamos o processo de coleta de assinaturas, que é exigência fundamental, e o registro dos diretórios estaduais.


Coletamos 1 milhão e duzentas mil assinaturas. Mas esse processo é complexo, porque nem sempre as pessoas têm o títiulo de eleitor no momento da coleta da assinatura. Ou seja, depois tem que buscar o número do título nos castórios eleitorais, no TSE. As assinaturas são conferidas em cartório, o que também é complicado, porque às vezes o eleitor assina de forma diferente no título. Para conseguir validar as 500 mil que entregamos ao TSE, precisamos coletar mais de um milhão de assinaturas. No dia 24 de agosto nós fizemos o ato de entegra no TSE. Escolhemos essa data em homenagem ao martírio do presidente Getúlio Vargas. E ontem [4 de outubro] tivemos o nosso pleito aprovado por unanimidade.

 

 

ÉPOCA – O PPL tem a intenção de disputar as eleições do ano que vem?


Manso – Não é intenção, nós vamos participar das próximas eleições. Agora estamos finalizando as filiações – quem quer ser candidato tem que estar filiado um anos antes para poder sair como candidato.

 

 

ÉPOCA – O partido conseguiu atrair algum político já eleito?


Manso – Não. Na verdade, nós não tivemos a preocupação de trazer algum parlamentar. Mas fomos procurados por alguns parlamentares, deputados estaduais, deputados federais, e estamos discutindo.

 

 

ÉPOCA – Como o senhor avalia o governo Dilma Rousseff?


Manso – Nós participamos da eleição da presidente Dilma. Nossas bandeiras estavam na praça em Brasília ao lado das bandeiras do PT. Participamos da campanha do [Aloizio] Mercadante, do Tarso Genro, temos companheiros que já participavam do governo mesmo antes do registro do nosso partido. Nós evidentemente não apoiamos tudo o que o governo faz, afinal somos um partido, temos nossas próprias ideias, nosso programa. Mas estamos interessados em ajudar para que o governo dela seja o melhor possível. Queremos que os avanços aconteçam, que a distribuição de renda seja fortalecida, que a nossa soberania cresça, que haja mais democracia. Queremos que as mudanças avancem, como é, penso eu, o compromisso da nossa presidente.

 
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