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19/01/2015 | Centrais convocam novo ato nacional contra juros dia 20

Por menos juros e mais empregos, centrais e entidades se reúnem na porta do BC às 10hs

As centrais sindicais CGTB, Força Sindical, NCST e UGT, além de outras entidades do movimento social, realizam na próxima terça-feira, 20, uma nova manifestação em frente à sede do Banco Central, na capital paulista, pela redução imediata dos juros. Nos estados, as entidades se organizam nas capitais para grandes atos conjuntos.

Na data, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne pela primeira vez no ano de 2015 e a expectativa é que mantenha ou eleve a taxa básica de juros (Selic) atual. Na última reunião, o grupo de banqueiros e seus lacaios decidiram pelo aumento da taxa em 0,5 ponto percentual, para 11,75% ao ano - a maior do mundo. Na ocasião, as centrais reuniram centenas de trabalhadores em frente ao BC.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, ressalta que "segundo o próprio Banco Central, foram gastos com juros R$ 264,173 bilhões em 2014 (até novembro). Em quatros anos de governo Dilma (janeiro de 2011 a novembro de 2014), nada menos que R$ 963,565 bilhões foram torrados com juros, ou seja, quase um trilhão de reais. Junto com o corte dos investimentos públicos, o resultado disso foi um arraso na indústria, desindustrialização, desemprego na indústria de transformação, enfim, a paralisia do país, que amarga os menores índices de crescimento de nossa história. Atualmente, o Brasil é um dos países que menos crescem no mundo, a despeito de suas imensas riquezas e de seu povo trabalhador".

Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, Juruna, organizar manifestações é importante, pois "temos que manter a unidade de ação do movimento sindical para defender uma política de redução dos juros e combater todas as medidas que prejudiquem os trabalhadores".

O manifesto assinado pelas entidades aponta que "a taxa média de 2% de crescimento anual da economia nos últimos quatro anos é uma das menores da história do país. É fundamental estancar a sangria da especulação financeira para a promoção de uma política de retomada do crescimento; para melhorar a educação, a saúde, os transportes e a segurança pública; para pôr fim ao famigerado fator previdenciário; para que o povo e em especial a juventude tenham acesso a uma política relevante de cultura; para que o Brasil avance a uma efetiva igualdade racial e que acabe a odiosa discriminação à mulher, conquistando, na prática, o direito estabelecido na Constituição de trabalho igual salário igual".

A média internacional da taxa está em -1,5% (menos 1,5%). Só existem seis países do mundo em que os juros básicos estão acima de 1% e somente 10 onde estão acima de zero. Cada ponto percentual de aumento na Selic significa mais de R$ 14 bilhões gastos com juros, o que equivale ao orçamento de 2014 do programa Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o presidente da Nova Central Sindical Trabalhista de São Paulo (NCST-SP), Luiz Gonçalves, o Luizinho, a alta dos juros pode causar desemprego, diminuir a atividade produtiva e não conseguirá conter a inflação: "a Nova Central tem claro de que a classe trabalhadora precisa estar unida e mobilizada para os árduos desafios que estão por vir, principalmente depois destas primeiras medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff e sua nova equipe econômica. Manifestações como esta se repetirão com mais frequência".

"Não podemos nós, trabalhadores, continuarmos com esses juros, um dos maiores do universo. Temos que ter juros baixos e mais empregos. Temos que ter valorização da indústria nacional. Temos que ter geração de emprego em toda a cadeia produtiva. Esse é o objetivo das Centrais", destacou o diretor de Relações Sindicais da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Josimar Andrade.

Para o presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB), Alfredo de Oliveira Neto, "nós, os negros, somos os que mais necessitam de serviços públicos e, portanto, os mais prejudicados com essa política econômica do governo Dilma de juros altos; câmbio favorável as importações; redução no investimento público; desnacionalização da economia; privatizações; desindustrialização e arrocho salarial".

Além de tudo, após aumentar por duas vezes consecutivas a Selic, o governo Dilma fechou 2014 com o anúncio de um pacote de corte nos valores das pensões por morte, auxílio-doença, seguro-desemprego, abono salarial e seguro de pescador, para amealhar R$ 18 bilhões a partir deste ano, que serão transferidos para o superávit primário. Isso por que a presidente havia anunciado durante a campanha que não mexeria em direitos trabalhista "nem que vaca tussa" – e o que são todos esses itens, se não diretos?

"O que é preciso é reduzir os juros aos níveis internacionais e parar com o desvio os recursos da Seguridade Social, para o superávit primário", completa o manifesto das centrais. "Não aceitamos e repudiamos qualquer tentativa de corte de direitos trabalhistas para encher os cofres dos bancos".

Em Porto Alegre o ato ocorre às 10h em frente à sede do Banco Central (Av. Alberto Bins, 348)

Assinam o manifesto e compõem a manifestação o CNAB; a União Nacional dos Estudantes (UNE); a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES); a Confederação das Mulheres do Brasil (CMB); a Federação dos Agentes Comunitários de Saúde, de Combate a Endemias, de Proteção Social, Promoção Ambiental e Acompanhantes Comunitários do Brasil (Fenaac), dentre outras.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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