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Legenda:Tombini, presidente do BC, continua “vigilante” para não deixar juro cair
Créditos:Antonio Cruz/ABr
06/11/2015 | Em 9 meses, governo transfere à banca R$ 408 bi para pagar juros

Só em setembro, foram R$ 70 bilhões em juros

Toda conversa fiada em torno do “ajuste” de Dilma/Levy para suposta buscar um “equilíbrio fiscal” já ultrapassou todos os limites. Somente em setembro, o setor público gastou nada menos que R$ 70 bilhões com juros. Para ser exato, R$ 69,993 bilhões. Em um mês, foram torrados com juros duas vezes e meia o orçamento anual do programa Bolsa Família. No acumulado de janeiro a setembro, foram transferidos do setor público para os bancos e demais rentistas inimagináveis R$ 408,319 bilhões (9,51% do PIB), segundo números divulgados pelo Banco Central na sexta-feira (29/10).

A título de comparação, somados, os orçamentos da Saúde, Educação, Bolsa Família, seguro-desemprego, abono salarial e Minha Casa Minha Vida são inferiores a R$ 300 bilhões. Na verdade, o que Dilma fez foi instituir a Bolsa Banqueiro, já que todas as suas ações são voltadas para satisfazer os bancos.

Aliás, o gasto do setor público com juros vem crescendo ano a ano. Em 2013 foram R$ 248,856 bilhões. No ano passado, mais R$ 311,380 bilhões. Como o governo não se cansa de superar quando se trata de bajulação aos monopólios financeiros, a coisa caminha para superar a barreira dos R$ 500 bilhões em gasto com juros, uma vez que ainda faltam três meses para o Banco Central fechar a conta.

Portanto, fica evidente o porquê do Produto Interno Bruto (PIB) negativo, da recessão, o desemprego em massa, da indústria no fundo do poço. “Com juros extorsivos para quem precisa tomar dinheiro e convidativos para quem quer especular, logicamente neste caso a especulação ganha; para que investir com a Selic de 14,25% se posso ganhar 20% especulando?”, questiona o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Corrado Vallo.

“Deve-se mencionar ainda o castigo imposto pelo governo à empresa nacional no que tange a financiamentos em longo prazo e a juros razoáveis por organismos como o BNDES à pequena e média empresa e o custo incompreensivelmente mais alto das matérias primas localmente”, acrescenta.

Além dos juros cavalares, a indústria nacional é atingida em cheio também pela desnacionalização e desindustrialização. Em três trimestres deste ano já foram desnacionalizadas 211 empresas, de acordo com a consultoria KPMG. Sob o governo Dilma, 1.296 empresas passaram para mãos estrangeiras. O resultado imediato desse processo é o aumento das remessas de lucro para o exterior e das importações, ambos com impacto nas contas externas.

A desnacionalização está acentuando um processo crescente de desindustrialização. Em julho de 2008, a participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) era de 15,4%. Caiu para 10,9% em 2014. E a perspectiva é de queda ainda maior, haja vista a continuidade da política de “privatização através de concessão”. Em 1985, essa participação era de 35,88%, segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

Os juros siderais estabelecidos pelo próprio governo criam uma bola de neve que só faz aumentar o montante da dívida bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais): alcançou R$ 3,789 trilhões em setembro (66% do PIB), conforme os dados do Banco Central.

Este ano o PIB será negativo, em torno de -3% e as projeções para 2016 são de uma variação de -1%. Com os gastos alucinados com juros e o BC afirmando que vai manter os juros altos por um longo período, a economia brasileira continuará em queda livre. Não há como implementar uma política de crescimento, com os recursos do setor público sendo manietados para satisfazer a sanha do sistema financeiro.

Fonte: Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 

 
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