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25/11/2015 | No ano, o Brasil perdeu 818.918 empregos com carteira assinada

Até outubro, 336.437 trabalhadores foram demitidos só na indústria de transformação

O nível de emprego com carteira assinada tem se revelado um verdadeiro desastre. Segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na sexta-feira (20) pelo Ministério do Trabalho, foram fechados 169.131 postos de trabalho em outubro. No acumulado do ano, houve redução de 818.918 empregos formais e nos últimos 12 meses foram demitidos 1.381.992 com carteira assinada.

“O desemprego galopante é resultado dos juros altos, que atingem em cheio as empresas, principalmente do setor industrial. Juro alto aumenta o custo, trava os investimentos e deforma o câmbio. A conseqüência disso é a recessão e com ela o desemprego, que se alastra por todos os ramos, em todo o país”, afirmou o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira).

Com efeito, com os resultados desastrosos registrados pelo Caged, o desfecho para o ano será extremamente ruim. De janeiro a outubro, apenas no mês de março houve saldo positivo (19.282 postos) na geração de emprego formal. Os outros meses apresentaram fechamento de vagas até chegarmos a queda de outubro, o pior resultado para esse mês na série histórica do Caged. Como faltam dois meses para fechar os números do Ministério do Trabalho, deverão ser cortados mais de 1.500.000 de empregos formais em 2015. Somados aos desempregados sem carteira assinada, totalizarão mais de 2 milhões de trabalhadores na rua da amargura.

“Que a economia brasileira está na UTI os trabalhadores brasileiros sabem. Afinal, estão sentindo no bolso quando vão ao mercado, à feira-livre ou na hora de pagar suas contas básicas, como água e luz. E pior ainda estão milhares de trabalhadores que, em função da redução da atividade industrial e das dificuldades das empresas, perderam seus empregos”, disse o presidente da Força Sindical, Miguel Torres.

De janeiro a outubro, a indústria de transformação foi o setor que mais fechou postos de trabalho: -336.437. Construção civil e comércio também apresentaram expressivos números de demissões: -253.226 e -239.293, respectivamente. Dentro da área da indústria de transformação, os setores de materiais de transporte (-60.512 postos), metalurgia (-55.654 postos), mecânica (-54.749 postos) e têxtil e vestuário (-54.481) tiveram os piores resultados.

No cumulado do ano, administração pública (+11.769 postos) e agricultura (+90.784 postos) registram saldo positivo. Contudo, no acumulado dos últimos 12 meses esses dois setores também apresentaram queda no emprego celetista: -11.483 vagas e -9.211 vagas, respectivamente.

Os números do Caged registram ainda que houve fechamento de vagas em todas as regiões do país nesse período. O Sudeste registrou o pior resultado, com 496.411 demissões. No Nordeste, foram cortados 174.316 postos de trabalho. Sul, Norte e Centro-Oeste perderam 98.349, 56.234 e 6.391 vagas, respectivamente.

Em outubro, dentre as 27 Unidades da Federação, 23 três reduziram o nível de emprego formal. Os estados mais ricos do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, foram os que mais fecharam vagas, com demissões de 50.423, 24.502 e 19.088 trabalhadores, respectivamente.

Na quinta-feira (19), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), na qual aponta que a taxa de desemprego em seis regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre) subiu para 7,9% em outubro. É a maior taxa para o mês desde 2007. Na medida em que foi aplicado o “ajuste” de Dilma/Levy, teve como conseqüência o aumento da taxa de desemprego, sempre crescente desde janeiro (5,3%).

Fonte: Jornal Hora do Povol/Valdo Albuquerque

 

 

 
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