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25/11/2015 | Carta branca de Dilma à Vale cobre de lama Rio Doce até foz no ES

Governo se omite antes e depois da tragédia

Rejeitos já destruíram 640 km de rio e agora agridem vida marinha

Privilégios de Dilma à Vale e desastre em Minas e ES

Após percorrer 640 km por Minas, onda de lama tóxica chega no litoral do Espírito Santo. Inação do governo gera indignação

O atual governo e o PT da atual fase – forçoso reconhecer - devem ser o que de mais oportunista já apareceu neste país. Há poucas semanas, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, era o El Cid Campeador (Deus!) do governo, e, inclusive, do PT.

Ferreira é um ex-executivo da Albrás – sociedade da norueguesa Norsk Hydro com a japonesa Mitsui, através da Nippon Amazon Aluminium. Na Vale, pertence à chamada "ala financista", aquela que põe o ganho especulativo e monopolista acima de tudo. Seu grande feito foi fazer a Vale ingressar no cartel do minério de ferro (cf. HP, 01/04/2015).

Portanto, era ridículo, aliás, deprimente, ter um herói como Ferreira. Embora, para quem já elevou ao mesmo posto o hoje presidiário Marcelo Odebrecht...

O motivo da quase canonização de Ferreira era seu apoio à Dilma, com declarações do tipo "só porque a população não está satisfeita, vamos fazer impeachment?". Como se o problema fosse uma mera insatisfação e não uma revolta geral contra o mais nojento e inescrupuloso estelionato eleitoral da História do país.

Agora, que a lama da Samarco – controlada pela Vale e pela multinacional australiana BHP Billiton – destruiu o Rio Doce e afogou mais de uma dezena de municípios em seu caminho para sujar o mar, essa mesma malta, que se prosternava ante a Vale e Ferreira, virou acusadora. Embora, é verdade, a acusação vai mais para Fernando Henrique, por ter privatizado a Vale, do que para Ferreira – que, por sinal, deve seu cargo à Dilma.

Mas, o que fez o PT, durante 12 anos de governo, para reverter a privatização de Fernando Henrique? Nesse caso, nem era necessário estatizar nada. Como disse um ministro de Dilma, o sr. Lobão, "quarenta e pouco por cento da Vale pertencem aos fundos de pensão do Banco do Brasil e da Caixa. E cerca de 12% pertencem ao BNDES, embora seu comando, sua direção, pertencem a 8%, detidos por um determinado banco privado [o Bradesco]".

Mesmo assim, o governo do PT nada fez para reverter a situação – o que seria fácil -, deixando a Vale tornar-se um monstrengo, com coisa ainda pior que o Bradesco na direção: uma diretoria onde pontificam nomes como Peter Poppinga, Roger Allan Downey, Jennifer Maki e o escambau (um ou outro até juram que são brasileiros; deve ser a maior concentração de nomes estrangeiros na direção de uma empresa brasileira já vista no país; até o representante da Previ tem um nome que demanda uma nacionalização).

O que o governo Dilma fez, entre outras coisas, foi conceder à Vale, e suas subsidiárias, 14 bilhões, 358 milhões, 327 mil e 803 reais (R$ 14.358.327.803) do BNDES.

Há quem ache que não há nada demais na Vale, em quatro anos, tomar mais de R$ 14 bilhões no BNDES. Mas isso é 68,17% do que a Vale tomou do BNDES desde 2002.

Resumindo: de 2002 a 2010 – durante nove anos - a Vale pegou 6 bilhões, 705 milhões, 538 mil e 471 reais (R$ 6.705.538.471) no BNDES ou 31,83% do total.

De 2011 a 2014 – portanto, quatro anos - a Vale pegou 14 bilhões, 358 milhões, 327 mil e 803 reais (R$ 14.358.327.803) do BNDES ou 68,17%.

Estas somas não incluem as subsidiárias da Vale, como a própria Samarco, a Vale Fertilizantes e a Vale Soluções em Energia, que também tomaram dinheiro no BNDES.

O entusiasmo de Dilma e caterva era tanto pela Vale, que ela nomeou Ferreira para a presidência do Conselho da Petrobrás – um cargo que a própria Dilma ocupara por quase oito anos. A Vale era o exemplo de "gestão" que ela queria na Petrobrás.

Como se sabe, Dilma acredita que a gestão privada é sempre superior à gestão pública: que o digam os moradores de Mariana, Governador Valadares, Resplendor, Colatina, Baixo Guandu, Linhares, Alpercata, Aimorés, Barra Longa, Belo Oriente, Galileia, Itueta, Pedra Corrida, Periquito, Quatituba, Tumiritinga - e os índios Krenak, que, sem água, ocuparam a ferrovia da Vale; um chefe indígena explicou o motivo: "Morre rio, morremos todos".

Ferreira acabou pedindo licença da presidência da Petrobrás, ao que parece por divergências com o presidente da Petrobrás, sobre como privatizar a empresa pelas beiradas.

Mesmo assim, continuou saudado pelo PT e pelo governo como um gênio empresarial – e político (cáspite!).

A Samarco é a quinta empresa, no Brasil, em lucro líquido (R$ 2 bilhões e 805 milhões em 2014) – em lucro depois de pagos todos os custos e demais despesas da empresa. Maior lucro que a Samarco, somente a Ambev, a Telefónica, a Cielo e a Cemig. O lucro da Samarco foi maior, em 2014, que o da própria Vale – na verdade, foi 9,7 vezes o lucro líquido da Vale.

Como isso é possível? Os mortos do distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, podem responder – mesmo sem poder mais falar.

Os privilégios à Vale e a completa inação do governo federal diante do desastre da Samarco em Minas e no Espírito Santo, parece mostrar que temos um governo que é semelhante à saúva, na frase de Oswaldo Cruz: ou acabamos com ele ou ele acaba com o país.

Na quarta-feira, a onda de lama já percorrera mais de 650 km do Rio Doce, deixando 13 municípios de Minas Gerais e três do Espírito Santo com o sistema de captação de água interrompido pela grande concentração de refugo mineral. O abastecimento estava limitado a apenas 2 litros de água por pessoa, com a população em desespero.

Desde domingo, a lama de rejeitos chegou ao litoral do Espírito Santo. "A lama pode atingir 10 mil km² ou mais" declarou André Ruschi, pesquisador da Estação de Biologia Marinha de Santa Cruz. "É um problema ainda maior que no rio Doce. O litoral do Espírito Santo é a Amazônia marinha do planeta. Temos ali o maior banco de algas, calcário e corais do mundo. No litoral do ES se pesca alimento para 20 milhões de pessoas".

Em nota, o governo declarou que "ao contrário do que dizem alguns críticos, o governo federal já tomou diversas providências para minimizar os problemas". São as seguintes as providências concretas citadas na nota: "foram mobilizadas três viaturas do Exército, aeronaves de FAB e nove militares para o apoio às buscas, bem como três técnicos da Integração Nacional para auxiliar no levantamento das necessidades".

Fonte: Jornal Hora do Povo/Camila Severo & Carlos Lopes

 

 
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