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09/12/2015 | Dilma e Temer dividiram as assinaturas das pedaladas

A verdade inexiste nesse conluio de traíras e nulidades

A carta de Temer à Dilma, vazada – segundo Temer, pelo Planalto - na quarta-feira, demonstra, mais uma vez, que a falta de caráter de um corresponde à ausência da mesma substância na outra.

Trata-se de um casamento político entre assemelhados - com igual, ou semelhante, respeito pela verdade – ou seja, pelo povo, pela Nação, por tudo o que formou o nosso país em décadas e séculos.

Como pode existir um acordo, quando os dois lados não têm apreço algum pela verdade? Talvez possa existir por algum tempo, se o acordo for o de enganar um terceiro: o povo.

Ou seja, o próprio acordo é uma ilicitude, porque é um golpe contra o povo. Permitir que semelhante gente (?) continue em seus cargos é propugnar pela falência moral do país – não por acaso, se avolumam fatos e crimes escabrosos, mostrando a deterioração provocada quando à frente do governo (e do vice-governo) está quem não zela pelos valores (e é contra eles) que podem unificar e constituir uma nação: a honradez, o amor à independência – vale dizer, à liberdade -, ao progresso, a identidade entre aqueles que constituem a nação.

Nestes quesitos, qual a diferença entre Temer e Dilma?

Nenhuma.

São iguais até mesmo nas "pedaladas" - o rombo de mais de R$ 50 bilhões nos bancos públicos em prol dos achacadores do sistema financeiro (bancos privados, sobretudo estrangeiros, e demais rentistas, que, protegidos pelo governo, se empanturram de juros). Soube-se agora que Temer assinou cinco dos 15 decretos que abriram créditos ilegais, sem autorização do Congresso. Portanto, são da lavra de Temer pelo menos um terço das "pedaladas" que abriram um rombo no BB, na CEF, no FGTS e no BNDES.

É preciso ter isonomia na punição do crime. Se as "pedaladas" são suficientes para submeter Dilma a processo por crime de responsabilidade, o mesmo vale para Temer. Como diziam os antigos romanos, "quot delicta, tot poenae" - para cada crime a sua pena. Portanto, para crimes iguais, penas iguais.

Quem vai ficar na Presidência, leitora? Certamente, não vai ser o Cunha, que, dentro em breve, será recolhido à detenção.

Mas isso nunca foi problema, nem no Brasil – os presidentes José Linhares e Nereu Ramos são a prova - nem em lugar algum, até porque será por breve tempo. O que necessitamos é de eleições gerais, para lavar as estrebarias de aguas a que reduziram a nossa República.

Se é verdade que só os ingênuos – e os vigaristas – podem defender a integridade (certamente genética) da srª Rousseff, como se ela fosse uma flor do lodo, só outros ingênuos, que os há, e outros vigaristas podem defender que a solução para o país pode ser a substituição de Dilma por Temer.

Disse Temer que, "sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã" - o que parece mostrar que Dilma tem algum bom senso; mas foi ela quem escolheu se apoiar nessa escória, e, também dentro do PT, se apoiar em algo que é um clone petista de Temer e quejandos.

Que Temer não resiste a uma carniça, não é novidade. Sua atitude para com aquela que deambula pelo Planalto é apenas uma demonstração da sua própria natureza.

Porém, não é dispensável lembrar que Temer & cia. estão ainda na vida política porque o PT, após a vitória de 2003, resolveu fazer aliança – e regalar com cargos - a ala do PMDB que apoiara Serra, ao invés daqueles peemedebistas (Quércia, Requião, etc.) que apoiaram Lula e ajudaram-no a se eleger.

Com Dilma, isso piorou ainda mais – tanto assim que Temer, sujeito com eleição difícil para deputado federal, se tornou vice-presidente, lugar antes ocupado pelo ínclito (e saudoso) José Alencar.

Assim, estabeleceu-se oficialmente o reino das nulidades e dos traíras, da Presidência (inclusive) para baixo.

Ao pedido de impeachment que tramita na Câmara podem ser feitas várias críticas realmente procedentes – mas nenhuma delas tem nada a ver com a ridícula encenação da ocupante atual do Planalto e daqueles bufarinheiros que são o seu entorno.

O argumento de Dilma resume-se a que, supostamente, não teria cometido "nenhum ato ilícito".

Pelo visto, ela não acha que mentir – e mentir ao povo – é algo ilícito. Provavelmente, deve achar que enganar o eleitorado, o que fez com rara desinibição, é o papel democrático de qualquer candidato.

Pois a revolta contra ela e seu governo, repúdio maior que até aquele contra Collor, Café Filho e outras almas penadas do passado, não se deve à sua irretorquível incompetência, como argumentaram alguns, segundo os quais, "incompetência não é motivo para retirar um presidente do poder" - logo, temos aqui uma defesa da incompetência no poder.

Mas não discutiremos isso: Dilma não sairá do governo por ser, meramente, incompetente, ainda que essa incompetência seja um consenso que inclui, até mesmo, seus poucos defensores.

Dilma sairá do poder por ter afundado o país, não por incompetência, mas por colocar a Presidência a serviços do inimigos do país.

Dilma sairá do poder pela mentira continuada – pois continua até hoje - do estelionato eleitoral. Como:

"[Marina Silva] pretende atender prioritariamente aos bancos. Nós não acreditamos em choque fiscal, isso é uma forma incorreta de tratar a questão fiscal no Brasil. Choque fiscal é um baita ajuste no qual se corta tudo para pagar juros para bancos. O Brasil não está desequilibrado, não tem crise cambial. Nós combatemos (a crise) garantindo empregos, garantindo salários. Ficar falando em choque fiscal é uma manobra perigosa e extremamente eleitoreira" (Dilma Rousseff, campanha eleitoral, Feira de Santana, 25/09/2015).

Marina Silva não falara em "choque fiscal". Quem fez um "choque fiscal" foi Dilma – e basta olhar em torno para ver os resultados.

Quanto aos bancos, desde janeiro o setor público transferiu R$ 426 bilhões aos bancos, como juros. Algo que jamais aconteceu no país. Mas não se avexou em dizer, na campanha eleitoral: "não sou eu que sou amiga de banqueiro...".

Realmente, ela não é amiga, mas serviçal.

Mas em que Temer é diferente?

Dilma sairá do poder por ter abrigado, sob ela, e se beneficiado eleitoralmente do maior assalto que a Petrobrás sofreu em mais de 60 anos de história. Qual pode ser a pena por manchar um símbolo nacional que estava diretamente sob sua responsabilidade? Qual pode ser a pena por agredir ou deixar agredir o que ela mesma chamou de "passaporte para o futuro"?

Nisso, Dilma tem Vaccari – e Temer tem Zelada.

Dilma sairá do poder, com Temer, também pelas "pedaladas". E aqui há outra mentira: "Paguei, sim! Mas nós pagamos com dinheiro do povo brasileiro. Não foi empréstimo que pagou o Minha Casa Minha Vida, foi o dinheiro legítimo dos tributos pagos pelo povo desse País".

Não poderia haver confissão mais cristalina de que ela quer negar algo que considera um crime. Pois o que aconteceu foi justo o contrário – exatamente isso demonstrou o TCU.

Fonte: Jornal Hora do Povo/Carlos Lopes

 
 

 

 

 
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