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13/04/2016 | Dilma e Temer afundaram o país na recessão e no roubo

Ambos se merecem. São dois golpistas à altura do outro

O único parlamentar a proferir algo interessante – com alguma honestidade, aderência à realidade e humor – na votação do impeachment de Dilma, na Comissão da Câmara, foi o deputado Paulo Maluf: "Estou fora do mensalão, fora do petrolão, fora da Lava Jato, não estou no Panama Papers e votei a favor do impeachment. Agora, saí da lista vermelha da Interpol. Só falta o papa Francisco me canonizar".

Dizem que Maluf, seguindo a escola de um antecessor, roubava, mas construía. Depois, PSDB-PMDB ou PT-PMDB, roubaram, mas destruíram.

Na mesma segunda-feira, vazou o pronunciamento de Temer, saudando a aprovação de um impeachment que a Câmara não aprovou – e esquecendo o seu próprio impeachment, que será analisado logo que a Justiça mande Cunha para o devido lugar.

[A propósito, leitor, depois de ler a denúncia do procurador Janot – ver a série de matérias nesta mesma página – é forçoso perguntar onde está a polícia. Certamente, esperando a sentença do STF. Mais de 80% dos 600 mil e tantos presidiários que existem no país, fez muito menos de ilegal que o Cunha.]

Dilma chamou Temer de "golpista", pelo pronunciamento adivinhatório. No que tem razão.

Poderia também dizer que Temer, além de um traíra, é uma besta quadrada, que acha uma grande jogada "vazar" um pronunciamento debiloide.

Mas Dilma sabia – como todos – que Temer era um traíra, quando o manteve como vice-presidente.

Entretanto, ela precisava de Temer, exatamente, para dar um golpe no país, ou seja, para se reeleger traindo o povo, através de um estelionato eleitoral que fez o país explodir logo em seguida.

As medidas do "ajuste" - aumento de juros, bloqueio dos investimentos e gastos públicos, em suma, asfixia da produção (portanto, das empresas produtivas) e desvio de recursos para a especulação (logo, dinheiro público, aos borbotões, para os bancos), com o desemprego de mais de três milhões de trabalhadores e a quebradeira por atacado das empresas – são o motivo e a marca dessa traição.

Foi uma traição de Dilma, de Temer – e de seus aliados, Cunha e Renan, que se encarregaram de aceitar quase cada medida antinacional e antipopular que o governo enviou ao Congresso.

Na discussão da Comissão Processante, era difícil saber de onde saíram aquelas damas e cavalheiros. Mas esse é apenas um efeito psicológico causado pelo seu total desapego à verdade.

Já comentamos como Dilma apoiou Cunha, ao ponto de tentar submeter deputados a votar a favor dele no Conselho de Ética (v. HP 06/04/2016). O que ela não conseguiu foi enquadrar os deputados do PT. Pois, mesmo assim, tanto Cardozo, como vários deputados, que sabem perfeitamente o que ocorreu, apareceram outra vez com a história de que o processo de impeachment é uma vingança de Cunha, pois Dilma teria se recusado a agir em favor dele no Conselho de Ética...

Esse desprezo pela verdade, essa flexibilização do caráter, leva à sua consequência política: o golpismo, que usa qualquer argumentação, não importa se é falsa, do mesmo modo mussoliniano de Dilma – e seu marqueteiro, hoje abrilhantando o ambiente penitenciário do Paraná – na campanha eleitoral.

Outros, na comissão, diziam que as "pedaladas" provocaram a crise, porque o governo gastou muito com o povo.

As "pedaladas" são ilegais – quando mais não seja, pelo assalto ao FGTS – mas não provocaram a crise nem o governo gastou muito com o povo. Pelo contrário, as "pedaladas" eram uma tentativa de passar mais dinheiro orçamentário para os bancos, deixando um rombo nas obrigações do Tesouro - e, de quebra, fazendo uma maquiagem fraudulenta para uso eleitoral.

Já os dilmistas diziam que a instabilidade política – com destaque para a Operação Lava Jato – é que provoca a crise. Como se Dilma não tivesse, com as medidas do "ajuste", lançado o país em sua pior crise em mais de 100 anos, desde que Campos Salles arrasou o país, entre 1898 e 1902. Essencialmente, é daí – e da roubalheira contra a Petrobrás – que vem a instabilidade política, e não o contrário.

Dilma e Temer são dois golpistas. O que se pode dizer deles, ainda que não seja original, é que um merece a outra - e uma merece o outro. Seria quase uma afinidade eletiva – se não fosse o fato de que o mundo da falta de caráter é cheio de impulsos irracionais.

Fincar-se no poder, querer nele permanecer contra a vontade do povo, depois de trair o povo - e para continuar traindo o país e o povo - é tão golpista quanto passar a perna em sua parceira de traições.

Dilma e Temer, depois de levar o país à exasperação, nem mesmo se importam de provocar uma convulsão social. O país não é importante. O que importa a eles é o poder – e não é para fazer alguma coisa em benefício do povo.

Por isso, os limites mais básicos são ignorados, tanto pelos dilmistas quanto pelos temeristas (que nome!). Lula – mais uma vez atirando a própria biografia no lixo – acha legítimo operar nas cafuas do hotel Royal Tulip. O bas-fond, quer dizer, o submundo, passou a ser legítimo? Ou será que Lula, que nem faz parte do governo, está distribuindo esmolas aos pobres que passam por lá?

Cardozo, depois de rebaixar a função de Advogado-Geral da União à de advogado de Dilma, em meio a um festival de canastrice, fez uma defesa que, segundo um jurista que consultamos, resume-se a dizer que Dilma pode fazer qualquer coisa, inclusive um golpe contra a Constituição, desde que não haja "dolo". Nas palavras desse experimentado jurisconsulto: "se fosse na Justiça criminal, significaria que o sujeito pode estuprar a mãe, desde que seja com a melhor das intenções".

Enquanto isso, Temer prometia dinheiro estrangeiro aos asseclas ("... verifiquei o quanto os outros países, que têm muito dinheiro em suas mãos, querem fazer aplicando no Brasil") e garantia que "o Estado não pode tudo fazer", quando o problema do Brasil é que o Estado tudo faz por meia dúzia de bancos e rentistas, e por ninguém mais.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, afirmou que "a atual presidente perdeu a legitimidade. Legitimidade não é só na eleição, mas é no exercício do cargo". O mesmo é verdade em relação a Temer.

Já a presidente do PCdoB, deputada Luciana Santos, garantiu, na segunda-feira, que o objetivo dos que querem o impeachment é "drenar recursos para o rentismo do sistema financeiro, ameaçar direitos e conquistas e entregar ativos como o pré-sal".

Papagaio! Ainda bem que, até agora, Dilma só drenou para o "rentismo do sistema financeiro", de janeiro de 2011 a fevereiro de 2016, R$ 1.598.564.000.000 (um trilhão, 598 bilhões e 564 milhões de reais) a título de juros. Pouca coisa – e teve apenas que estrangular a economia e o país para isso – além de tesourar a pensão por morte, o seguro-desemprego e outros direitos, declarar que vai tesourar também a Previdência, e entregar parte do maior campo petrolífero do mundo, no pré-sal, às multinacionais petroleiras - e nem vamos falar na privatização pelas beiradas (e que beiradas!) da Petrobrás.

Já pensou se fosse Temer o presidente?

Mas... alto lá! Temer não era o articulador político de Dilma?

Era.

E quem o nomeou para a função?

Fonte: Jornal Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 
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