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24/08/2016 | ‘Direito a maternidade deve ser assumido como um bem social’

Senado celebra os 70 anos da Federação Democrática Internacional das Mulheres - FDIM:

“Queremos as mulheres do mundo emancipadas, com trabalho, com direito a uma maternidade digna”, disse Márcia Campos, presidente da entidade, durante a sessão

O Senado Federal homenageou os 70 anos da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), na última segunda-feira (22), em sessão especial de iniciativa do senador Paulo Paim (PT), que a presidiu e da Confederação das Mulheres do Brasil (CMB).

Em seu pronunciamento, a brasileira que está no terceiro mandato na presidência da FDIM, Márcia Campos destacou a luta das mulheres pelos seus direitos. Ela apontou a necessidade da ampliação da licença maternidade para um mínimo de seis meses.

“Não é possível um organismo internacional como a Organização Mundial da Saúde dizer que a mulher tem que amamentar por seis meses, e nós, no nosso País, termos quatro meses de licença maternidade. É impossível. Nenhuma mulher consegue voltar ao trabalho e continuar amamentando”, disse.

“Nós queremos deixar claro que a creche e o aumento da licença maternidade são fundamentais para que a mulher trabalhadora tenha condições de trabalhar, de se emancipar, de fazer parte da construção do mundo”, salientou a presidente da FDIM.

De acordo com Márcia Campos, “não existem condições de a mulher fazer nada disso se a sociedade não assumir a maternidade como um bem social. A criança não é apenas da mulher: ela é todinha da sociedade brasileira. Ela é de cada um de nós, que estamos aqui nesta Casa”.

A presidente da FDIM ainda destacou a luta pelo fim das guerras no mundo, pela paz e harmonia entre os povos. “Nós queremos todos os povos do mundo sem guerra, vivendo com harmonia, vivendo em cooperação com os outros. Nós queremos as mulheres do mundo emancipadas, com trabalho, com direito a uma maternidade digna, com direito a uma licença-maternidade digna, com direito a fazer valer a voz da mulher junto aos homens do mundo para que todas nós sejamos livres”, disse.

Márcia também lembrou e agradeceu as mulheres no mundo que se destacaram na construção da FDIM ao longo desses 70 anos. A presidente fundadora, a francesa Eugénie Cotton, Silvye Jan, Fatima Ibrahim, a palestina Mayada Abbassi, vice-presidente da FDIM, e a já falecida Vilma Espín, presidente da Federação das Mulheres de Cuba.

O senador Paulo Paim falou da importância da luta das mulheres para as lutas sociais, políticas e econômicas do nosso país. “A luta de vocês é a nossa luta, como um novo alvorecer que apaga preconceitos e injustiças. Se quisermos festejar de fato a democracia, é necessário honrarmos a vida e glorificarmos a verdade. Sem dignidade humana não há igualdade entre homens e mulheres”.

O senador exigiu ainda a aprovação do projeto de lei 130, que “estabelece multa para combater a diferença, a discriminação entre mulheres e homens no Brasil”.

“Tive o orgulho de ser Relator dessa matéria. Quando relatei esse projeto nas comissões e o aprovei, e ele veio para o Plenário, eu tinha o entendimento – já se passaram mais de dois anos, três – que essa lei seria aprovada de imediato. Mas apareceu aqui um recurso para mandar essa lei para a Comissão de Reforma Agrária e, se não me engano, para a de Infraestrutura. O que é que tem a ver reforma agrária ou infraestrutura com o direito das mulheres? Não têm nada a ver”, criticou o senador.

Gláucia Morelli, presidente da CMB agradeceu ao senador Paulo Paim, pela sensibilidade de chamar esta sessão e por ter acolhido a luta pelo salário igual para trabalho igual, “de maneira empolgada, persistente”.

“Nos últimos 15 anos, com a Márcia a frente da entidade, a luta internacional por solidariedade, pela paz, por acesso ao trabalho, livre de discriminações, desigualdades e exploração, única resposta à fome e à miséria, foi fortalecida pela firme presença da FDIM, frente à agressividade da política imperialista de guerras e medidas econômicas neoliberais que negam aos povos o direito à soberania, às suas riquezas, a seus territórios e a suas opções políticas sobre que sistemas querem ser governados”, afirmou Gláucia.

Rosanita Campos, presidente-fundadora da CMB, vice-presidente e secretária nacional da Mulher do Partido Pátria Livre, o papel da Márcia a frente da FDIM nos últimos 15 anos. “Ela colocou uma questão que parece muito nova para todo mundo: que a mulher, a mãe, a cidadã é uma pessoa só. A mulher, a mãe, a cidadã, a trabalhadora, ela tem filho, ela amamenta, ela cuida da casa e, por ser mãe, não pode ser condenada às quatro paredes do lar, a não ter um salário, a não ter autonomia, a não ter independência, a não ter a sua condição de mulher, que é a maternidade, respeitada. Uma mulher não pode, em lugar nenhum deste Planeta, sofrer a discriminação de ter um salário para um determinado serviço e ter um companheiro, sentado na mesa ao lado, exercendo a mesma função, e ganhando 30% a mais do que a mulher ganha”.

“Se não cuidarmos agora de quem vai cuidar do País amanhã, o que vai ser de nossa Pátria? É esse o sentimento de Pátria, de nacionalidade, de Brasil por que nós lutamos e que resgatamos no Brasil e no mundo, em cada país, é claro, porque a unidade de todos os países impõe o reconhecimento das características individuais de cada país. Cada nacionalidade é uma, e todas juntas podem perfeitamente garantir a paz, um futuro melhor, direitos para todos os povos do mundo, a independência das nações e a soberania dos povos”, afirmou Rosanita.

O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ubiraci Dantas, lembrou que no Brasil “nós temos 12 milhões de desempregados, fruto de uma política econômica perversa, que já está há mais de dez anos, quinze anos, no nosso Brasil, privilegiando o capital financeiro internacional em detrimento da indústria nacional, em detrimento da nação brasileira. Desses 12 milhões, senhoras e senhores, aqui no nosso País, 42% são mulheres. É preciso acabar com essa crueldade! É preciso deixar que as mulheres trabalhem! É necessário que elas tenham creche para deixar os filhos! É necessário que haja alimentação para os seus bebês para ter uma criança sadia”.

Também estiveram presentes: a vereadora do Novo Gama (GO), Laodicéia Dourado, Jane Ferreira, presidente da Federação das Mulheres do DF, Maria Lucia Fatorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, a embaixadora da Guiné-Bissau, Eugénia Araújo, a secretária Nacional de Autonomia Econômica da SPM, Aparecida Moura, o secretário Nacional de Qualificação e Promoção do MTur, Hercy Ayres Filho, o presidente do Sindmédico do DF, Gutemberg Fialho, presidente Nacional do Conselho de Mulheres Cristãs do Brasil, Patrícia Oliver, presidente da Associação Despertar Sabedoria no Sol Nascente, Margarida Minervina, a diretora da Contratuh, Maria dos Anjos Hellmeister, a diretora da FSN e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Maria Euzilene Nogueira.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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