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02/09/2016 | PMDB pressiona Temer a adiar as maldades para depois da eleição

Para PMDB, “ajustes” só depois da eleição 

Senadores do PSDB e do DEM reclamaram, logo após a aprovação do impeachment de Dilma, da pouca disposição do PMDB de agravar imediatamente o ajuste neoliberal – corte maior de gastos, mais arrocho salarial, pilhagem sobre a Previdência, anulação da CLT.

"O que queremos é o ajuste fiscal. O governo aguenta?", declarou o senador Agripino Maia (DEM-RN). Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o tucano Ricardo Ferraço (PSDB-ES) apresentou relatório contrário à aprovação do aumento dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Logo após, o senador Valdir Raupp, da Executiva Nacional do PMDB, apresentou voto em separado, aprovando a proposta. Os tucanos José Aníbal e Aloysio Nunes protestaram – assim como Ronaldo Caiado, do DEM.

"Não é justo que o PSDB fique de palmatória do mundo", declarou o líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima.

Na quarta-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), iria colocar em votação o aumento – mas não conseguiu, devido à votação do impeachment. Calheiros é a favor do aumento, que determina também o aumento das demais instâncias do Judiciário.

Quanto à Comissão de Constituição e Justiça, esta já aprovou o relatório do senador José Maranhão (PMDB-PB), favorável ao aumento.

O PMDB pressiona Michel Temer, agora efetivado na Presidência, para jogar as tais "reformas" assumidamente "impopulares", "amargas", para depois das eleições municipais, contrariando os tucanos e demistas, que querem aplicar a piora do "ajuste fiscal", iniciado por Dilma, e que colocou o país na dramática recessão atual.

Em pronunciamento na TV após ser efetivado como presidente, Temer disse que pretende tocar as "reformas" da Previdência Social e trabalhista que atingem os direitos da população. O governo queria encaminhar a proposta sobre a Previdência antes do impeachment, mas adiou o envio. Fontes governistas garantem que não existe possibilidade dela andar antes do primeiro semestre de 2017.

PSDB e DEM advogam a aplicação de um "ajuste" draconiano, e não gostaram da posição do PMDB em relação aos reajustes dos servidores públicos. O PMDB não quer o ônus de aplicar um arrocho maior no país. Já os tucanos, não se consideram no governo, portanto, acham que perderão menos. Os peemedebistas lembram do destino do PT e de Dilma – e isso não lhes agrada.

Não à toa, o senador peemedebista Dário Berger (SC) defendeu na terça-feira (30), na véspera da votação do impeachment de Dilma, que o Brasil precisa de um novo governo que enxergue as dificuldades do presente e possa projetar o futuro, fazendo o seu diagnóstico da situação. "O retrato do Brasil hoje não é outro senão o da incerteza, da insegurança e da falta de esperança, em razão do desemprego e da violência crescentes e das elevadas taxas de juros praticadas no país, de 14,25%, a mais alta do mundo", disse Berger.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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