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09/09/2016 | Fora Temer! Novas elei√ß√Ķes j√°!

Programa de Temer é continuar a destruição de Dilma Rousseff

Povo nas ruas quer novas eleições já. Temer é ilegítimo porque participou do mesmo estelionato eleitoral que reelegeu Dilma

Agora que o Brasil livrou-se, na quarta-feira da semana passada, de uma presidente que havia traído seus eleitores e o país - afundando-o, se beneficiando e coonestando o roubo – perguntemos outra vez: em que Temer é diferente?

Como mostrou o comparecimento às manifestações do último domingo, os brasileiros, com toda razão, pensam que em nada de importante.

Trata-se de um governo ilegítimo, do qual o país só pode esperar a continuação do tormento e do atraso dilmistas. Só isto e nada mais.

Daí, a urgência da convocação de novas eleições. O ideal de vida dos brasileiros não é trocar Dilma por Temer – duas versões da mediocridade, falta de compromisso com o país e corrupção. Mudar a quadrilha no poder – nesse caso, a "nova" quadrilha nem mesmo é inteiramente diferente - não é nossa aspiração nacional, nem há condições, exatamente por causa disso, de que alguma quadrilha continue por muito mais tempo no poder.

O Brasil é grande demais para tanta mediocridade, para tanta estupidez, para tanto roubo, para tanta destruição de suas forças produtivas, para tanta marginalização da sua inteligência, para tanto desperdício de sua energia, para tanta entrega de suas riquezas a saqueadores estrangeiros, para tanta exploração de um valoroso povo.

Em nada disso, Temer se diferencia de Dilma.

Aliás, já que as discussões jurídicas tomaram as ruas e lares, depois que o ministro Lewandowski fatiou o que não podia ser fatiado, facilitando o acerto dos investigados pela Operação Lava Jato, para livrar Dilma da pena que a Constituição determina para os seus crimes, é bom lembrar que o Código Penal estabelece que:

"Artigo 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime, incide nas penas a este cominadas".

Isso já seria verdade se Temer fosse um cúmplice. Porém, ele é mais do que isso.

Temer não apenas foi cúmplice, mas cometeu os mesmos crimes que Dilma – e não estamos nos referindo apenas aos quatro decretos que assinou, em 2015, de suplementação de verbas, sem aprovação do Congresso (desde 2011, Temer assinou nove desses decretos – ao todo, R$ 67,3 bilhões).

Do ponto de vista do processo, este foi o principal crime que levou Dilma ao impeachment: a abertura de créditos, sem autorização do Congresso, no valor de R$ 95bilhões e 958 milhões em 2015.

Portanto, sob esse aspecto estrito, nada difere, aqui, entre Temer e Dilma.

O mandato de Temer é uma descarga do estelionato eleitoral que ele e Dilma cometeram. Certamente, o produto de um crime contra o povo só pode ser outro crime. Assim como os efeitos desse outro crime. Por exemplo:

Onde estava Temer, quando Dilma, em setembro de 2014, a poucos dias do primeiro turno das eleições, condenou a "absoluta falta de solução com as políticas de austeridade, que levaram a uma geração de jovens sem emprego na União Europeia", e disse que iria garantir a "elevação salarial" e os "investimentos em infraestrutura no país", pois tinha acabado a época, no Brasil, em que "quando havia crise, se cortava salário, cortava emprego, diminuía o ritmo de investimento"?

Temer estava, evidentemente, apoiando Dilma.

E onde estava Temer quando ela fez o contrário?

Ora, ele era o articulador oficial do governo Dilma. A ele se deve, em boa parte, a aprovação, no Congresso, das medidas para esfolar o povo, de Dilma e do PT.

Onde estava Temer quando Dilma, também em setembro de 2014, disse que "nós não acreditamos em choque fiscal. Vai fazer choque fiscal, vai cortar o quê? Vai cortar programa social? Vai cortar Bolsa Família? Vai cortar subsídio do Minha Casa, Minha Vida? Vão fazer o quê? Choque fiscal é o quê? É um baita ajuste que se corta para pagar juros para os bancos? Não é necessário."?

Obviamente, Temer estava apoiando Dilma.

E onde estava ele quando Dilma, depois das eleições, para transferir R$ 502 bilhões em juros, do setor público para os bancos e aos demais rentistas, cortou R$ 4,8 bilhões do Minha Casa, Minha Vida, R$ 3,8 bilhões do PAC, outros R$ 3,8 bilhões da Saúde, impôs um limite de gastos de 1/18 mensais do Orçamento anterior, depois cortou R$ 70,9 bilhões – chegando ao fim do ano com um corte efetivo de R$ 134 bilhões, arrasando o país?

Temer estava apoiando Dilma nesse estelionato insano.

Onde estava Temer quando, dias antes das eleições de 2014, Dilma contou que "outro dia, perguntaram para mim: ‘A senhora vai mexer no direito dos trabalhadores? Porque tem candidato por aí dizendo que vai mexer’. Ai, eu respondi: Nem que a vaca tussa"?

Apoiando Dilma, é óbvio.

E onde estava Temer quando Dilma, depois das eleições, restringiu o direito ao seguro-desemprego, ao abono salarial e à pensão por morte e permitiu que as multinacionais cortassem o salário dos trabalhadores, através do famigerado PPE?

Temer estava apoiando Dilma – e foi um dos principais articuladores para que esse açoite aos assalariados passasse no Congresso Nacional.

Para encerrar esse mostruário de infâmias, onde estava Temer, quando Dilma, na campanha eleitoral, disse que "agora inventaram que vai ter tarifaço. Falam que vai ter um tarifaço porque as térmicas foram acionadas. Não vai ter, não. É outra coisa que não vai ter."?

Apoiando Dilma, é claro.

E onde estava ele quando a política de Dilma aumentou em +52,3%, em média, a tarifa de energia elétrica, em +21,7% o preço do gás de cozinha e em +17,6% o preço da gasolina, ao mesmo tempo que o salário real baixava quase -10%?

Outra vez, apoiando Dilma.

Foi esse estelionato, esse amancebamento com o roubo contra a Petrobrás, esse desprezo com o povo, que sepultou Dilma, a ponto da população manifestar aguda indignação com as trapaças de Renan, PT & cia., para livrar Dilma da punição constitucional.

Mas isso também vale para Temer e seu governo – surgidos de uma espécie de ovo de cobra, isto é, oriundo de um mandato criminoso.

Até porque Temer não tem outro plano, outro programa, senão levar em frente – ou, melhor, levar abaixo – desde o corte dos direitos previdenciários e trabalhistas até a privatização daquilo que mais importante os brasileiros construíram. Em suma, seu programa é completar a destruição de Dilma.

Fonte: Carlos Lopes/Jornal Hora do Povo

 

 

 
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