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21/10/2011 | Após pressão do povo e da indústria, COPOM reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, mas a taxa continua sendo a mais alta do mundo

Na terça-feira, véspera da decisão do COPOM, representantes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, Fiesp e Abimaq lançaram o “Movimento por Brasil com Juros Baixos: Mais Empregos e Maior Produção” e fizeram uma passeata em São Paulo, finalizando com um ato em frente ao BC. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, propôs que no dia em que os “burocratas discutem o que vão fazer da nossa vida” o Brasil todo proteste “não trabalhando”. “Aumentar juros é segurar salário e crescimento. E isso não dá para concordar”. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ressaltou que “não cabe ao BC decidir o futuro do Brasil e do povo brasileiro, mas sim ao governo, à presidente Dilma Rousseff. E cabe à sociedade brasileira exigir que as coisas aconteçam de forma correta”.

 

Na quarta-feira, em frente à sede do Banco Central de Porto Alegre, sindicalistas ligados à CUT e à CGTB, e estudantes ligados à União Gaúcha dos Estudantes (UGES) também realizaram manifestação pela redução da taxa Selic (foto). “É para chamar a atenção e exigir que o Copom baixe a taxa de juros”, disse o presidente da CUT, Celso Woyciechowski, ressaltando que na maioria dos países a taxa varia entre 4,5% e 5%. “Esse é um patamar equilibrado. O Brasil tem hoje uma das taxas mais altas do mundo, o que contraria a necessidade de investimento e de uma economia voltada ao desenvolvimento”.

 

 

Fiesp e Centrais: “Ou aceleramos a queda dos juros ou o país para”

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu na quarta-feira (19) a taxa Selic em apenas 0,5 ponto percentual, passando de 12% para 11,5% ao ano. Em termos reais (descontada a inflação), a taxa básica de juros do Brasil (5,5%) continua a mais alta do mundo, cinco vezes e meio maior que a taxa da Rússia (1,0%), a segunda maior entre os países dos BRICS. A magnitude do corte foi criticada por empresários e trabalhadores.

 

“É preciso intensificar a redução dos juros”, afirmou em nota o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Diante do cenário de desaceleração econômica, a Fiesp espera que “a autoridade monetária acentue o movimento de redução dos juros, conforme o desejo de toda a sociedade brasileira”.

 

“A Força Sindical considera que ainda é muito pequena a queda de 0,50 ponto na Taxa Selic, anunciada pelo Copom. O Copom acertou no remédio, mas errou na dose. Infelizmente, os membros do Banco Central se transformaram em fiéis escudeiros dos especuladores”, disse o presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), acrescentado que “o que há para comemorar é que a redução do índice – que foi de 12% para 11,50% – reflete a pressão da sociedade, especialmente do movimento sindical, que constantemente tem-se manifestado a favor de queda ousada na taxa básica de juros”.

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), também considerou que o ritmo de queda da Selic é muito lento. “É preciso ousar e acelerar o corte da Selic porque o Brasil ainda mantém o título de campeão mundial dos juros, o que freia o emprego, a produção e o desenvolvimento e somente incentiva a entrada de capital especulativo”, frisou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.

 

“Essa decisão do Copom de reduzir apenas 0,5 ponto a taxa Selic frustra a Nação brasileira. É preciso derrubar o juro ao chão para fortalecer o mercado interno, a indústria nacional, para ter mais empregos e mais salários”, sublinhou o dirigente da CGTB Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira). 

 

 

Pressão

 

Quando Alexandre Tombini assumiu a presidência do BC, a taxa Selic estava em 10,75% ao ano, o que fazia do Brasil, já na época, o campeão mundial dos juros altos. Como parte da política da equipe econômica de derrubar o crescimento, o Copom elevou em cinco reuniões consecutivas a taxa básica de juros em 1,75 ponto percentual. Em 31 de agosto, sob forte pressão do movimento popular e com a economia em franca desaceleração, com projeção de crescimento este ano abaixo de 4% - agora o BC já estima em 3,5% -, a taxa básica de juros foi reduzida em 0,5 ponto percentual. É bom registrar que além do aumento dos juros, outras medidas foram adotadas pelo BC e pelo Ministério da Fazenda para diminuir o crescimento, tais como corte de R$ 50 bilhões do Orçamento, aumento de R$ 10 bilhões do superávit primário e restrição ao crédito.

 

Mesmo com a economia no limbo, Tombini insiste em “ajustes moderados” dos juros. Ou seja, mantém a política de favorecer o sistema financeiro e seus derivativos – que já se mostrou falido nos EUA, na Europa e no Japão -, que extorque o Estado, com esses juros pornográficos. Como observou o presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, durante o lançamento do manifesto do manifesto do “Movimento por um Brasil com juros baixos: mais empregos e maior produção”, nos últimos 16 anos foram gastos com juros R$ 2 trilhões: “Se corrigirmos, o montante chega a R$ 6 trilhões. Essa é a maior anomalia que nós temos na economia brasileira”.

 

 

Queda

 

Vários indicadores econômicos demonstram que procrastinar a redução acentuada dos juros só vai levar a economia ainda mais para o buraco. O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), uma prévia do PIB, registrou um recuo de 0,53% em agosto em relação a julho. No acumulado de janeiro a agosto, o índice medido pelo BC atingiu 3,43%. Em agosto, a produção industrial (-0,2%) e as vendas do varejo (-0,4%) também indicam desaceleração. O emprego industrial (0,4%) com número positivo dá mostra de perda de arrefecimento.

 

Na terça-feira (18), representantes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, Fiesp e Abimaq, entre outras entidades de trabalhadores e de empresários, lançaram o “Movimento por Brasil com Juros Baixos: Mais Empregos e Maior Produção” e fizeram uma passeata em São Paulo, finalizando com um ato em frente ao BC. O presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Marcio Pochmann, alertou para a urgência da redução dos juros, tendo em vista a desaceleração econômica, com o PIB podendo chegar a 2,7% este ano e em 2012 até ser negativo. “Por isso, tecnicamente, não há justificativa para praticarmos uma taxa de juro neste patamar. Se quisermos nos livrar do estigma de país subdesenvolvido, não podemos ter medo de ousar”, frisou.

 

Ao defender que o manifesto é da sociedade brasileira, Skaf ressaltou que “o BC tem uma missão focada somente na moeda. Não cabe ao BC decidir o futuro do Brasil e do povo brasileiro, mas sim ao governo, à presidente Dilma Rousseff. E cabe à sociedade brasileira exigir que as coisas aconteçam de forma correta”.

 

Paulinho propôs que no dia em que os “burocratas discutem o que vão fazer da nossa vida” o Brasil todo proteste “não trabalhando”. “Aumentar juros é segurar salário e crescimento. E isso não dá para concordar”.   

 

Na quarta-feira, a União Nacional dos Estudantes e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) realizaram manifestações em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre pela redução expressiva dos juros. “O Brasil já destinou aos bancos neste ano quase 200 bilhões de reais. Para o REUNI, que é o plano de reestruturação das universidades federais, foram destinados em quatro anos 2,5 bilhões de reais ou 625 milhões de reais por ano. Ocupar o Banco Central por mais Educação e menos juros”, destacou a secretária-geral da UNE e militante da Juventude Pátria Livre, Michelle Bressan, na porta do BC, em Brasília.

 
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