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13/12/2016 | Juros altos e sem investimentos, PIB recua 0,8% no 3º trimestre

No acumulado de janeiro a setembro, a taxa do PIB foi de -4,0%. Pela ótica da produção, todos os setores tiveram queda: agropecuária (-6,9%), indústria (-4,3%) e serviços (-2,8%)

O “ajuste” de Dilma/Temer jogou a economia brasileira ladeira abaixo. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 0,8% na comparação do terceiro trimestre de 2016 contra o segundo trimestre do ano. No acumulado de janeiro a setembro, a queda foi de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, a maior baixa para o período desde 1996. No acumulado dos quatro trimestres encerrados no terceiro trimestre o tombo do PIB foi de 4,4%, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na quarta-feira (30/11). 

Com os juros na estratosfera, não poderia resultar em outra coisa senão a queda do investimento (Formação Bruta de Capital Fixo – FBCF), sufocando a produção desde a administração da sra. Rousseff, que Temer pretende piorar com a PEC 55, conhecida como PEC da morte, que congela os gastos com saúde, educação e o salário mínimo por 20 anos. Com o país em recessão o governo quer impor mais recessão e mais desemprego. 

A redução da taxa nominal de juros, por duas reuniões consecutivas, não implicou na redução da taxa real de juros. Assim, houve corte de 0,25 ponto percentual nos juros básicos, na quarta-feira (30/11), de 14% para 13,75%, mas a taxa real de juros subiu de 8,49% para 8,53%. Isso em uma situação em que a média mundial da taxa real de juros está negativa (-1,9%), conforme levantamento do MoneYou e da Infinity Asset Management. 

FBCF

Conforme o IBGE, desde o segundo trimestre de 2014 a FBCF - aqueles bens que servem para produzir outros bens, basicamente máquinas, equipamentos e material de construção- vem registrando queda ao longo do ano por trimestre, chegando a -11,6% no terceiro trimestre deste ano. Ou seja, há 10 trimestres que o investimento está caindo.

“Neste trimestre especificamente a gente viu um recuo importante nos investimentos, coisa que não tinha acontecido no trimestre passado, muito em função da queda nas importações de bens de capital, máquinas e equipamentos, e aí tem a ver com a conjuntura toda do país e com o aumento dos juros reais”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Palis.

Em sua análise sobre o resultado do PIB, intitulada “Recessão dentro da recessão”, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) frisou que “os dados mostram uma nova piora da economia, como se estivéssemos reentrando em uma recessão”.

Já a taxa de investimento (FBCF/PIB) caiu de 21,5% no terceiro trimestre de 2010 para 16,5% no terceiro trimestre de 2016, uma redução de cinco pontos percentuais ou 23%.

No acumulado de janeiro a setembro, a taxa do PIB foi de -4,0%. Pela ótica da produção, todos os setores tiveram queda: agropecuária (-6,9%), indústria (-4,3%) e serviços (-2,8%). No terceiro trimestre a agricultura literalmente quebrou. A quantidade produzida de milho caiu 25,5%, a de algodão recuou 16,9%, a de laranja, -4,7% e a cana de açúcar, -2,0%. A de café teve aumento de 11,0% e a de mandioca, +3,8%.

CONSUMO DAS FAMÍLIAS

Pela ótica da demanda, de janeiro a setembro, a despesa de consumo das famílias foi reduzida em 4,7%, a despesa de consumo do governo diminuiu 0,7%, as exportações de bens e serviços cresceram 5,2% e as importações de bens e serviços caíram 13,1%.

Na taxa acumulada ao longo do ano, a variação do consumo das famílias são as seguintes:

- 2015/1º T: -1,2%

- 2015/2º T: -2,1%

- 2015/3º T: -3,0%

- 2015/4º T: -3,9%

- 2016/1º T: -5,8%

- 2016/2º T: -5,3%

- 2016/3º T: -4,7%

Tomando os indicadores de volume, isso significa uma queda de -12,1% no consumo, em relação ao último trimestre de 2014, o último em que houve aumento do consumo. Com a perspectiva de piorar, pois o salário real continua em queda, e o desemprego, em alta.

INDÚSTRIA

Chama atenção a queda da participação da indústria, o setor mais dinâmico da economia, na formação do PIB. Em 2004 era de 28,6% e caiu para 22,3% no ano passado, isto é, baixou 6,3 pontos percentuais ou -22%. O setor principal da indústria, a indústria de transformação, teve reduzida a sua participação de 17,8% (2004), o que já era muito baixo, para 11,8% (2015), ou seja, sua participação 33% em 11 anos.

De acordo com o IBGE, “o PIB acumulado nos quatro trimestres terminados em setembro de 2016 recuou 4,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores. Esta taxa resultou da contração de 3,8% do valor adicionado a preços básicos e do recuo de 8,3% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado neste tipo de comparação decorreu das quedas na agropecuária (-5,6%), indústria (-5,4%) e serviços (-3,2%)”.

“Sob a ótica da despesa, todos os componentes da demanda interna apresentaram resultado negativo pelo sexto trimestre consecutivo. A formação bruta de capital fixo sofreu contração de 13,5%. A despesa de consumo das famílias (-5,2%) e a despesa de consumo do governo (-0,9%) também apresentaram queda”.

“Como os indicadores de produção industrial já haviam sugerido, o PIB industrial para os meses de julho a setembro voltou ao campo negativo, atingindo, inclusive, patamares expressivos: -1,3% no setor como um todo e -2,1% na indústria de transformação, frente ao trimestre anterior, com ajuste sazonal. É como se sua trajetória tivesse assumido um formato de ‘W’, em que há não apenas um, mas possivelmente dois ‘fundos de poço’”, avaliou o IEDI.

Fonte: Jornal Hora do Povo/Valdo Albuquerque

 

 
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