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18/03/2017 | Atos dizem NÃO a Temer & súcia em defesa da Previdência e CLT

Atos dizem NÃO a Temer & súcia em defesa da Previdência e CLT

Greves e manifestações pelo país mostraram ao governo que mexer na aposentadoria e nos direitos trabalhistas é brincar com fogo
 

Pelas estimativas até da mídia que faz uma campanha alucinada pela pilhagem da Previdência Social, mais do que dezenas de milhares de brasileiros – centenas de milhares seria mais exato; ainda mais preciso seria dizer: mais de um milhão – saíram às ruas, na quarta-feira, em todo o país, contra o ataque às suas aposentadorias e demais direitos previdenciários (v. matérias nas páginas 4 e 5 desta edição).

E quem, por uma razão ou outra, não foi às mobilizações, manifestou-se de outra forma: por isso, aqueles sujeitos (e sujeitas) que são pagos para, na TV, colocar o povo contra o povo, entrevistando desavisados e induzindo-os a criticar os que se mobilizam, dessa vez não encontraram material para a sua intriga. As pessoas, nos pontos de ônibus, estações de trem ou metrô, apesar da dificuldade momentânea, quando entrevistadas, apoiavam as manifestações, inclusive a greve dos transportes.

Assim, os escravagistas – quem quer acabar com as aposentadorias merece esse título – foram reduzidos ao blá-blá-blá-blá-blá perfeitamente ridículo, sem que arrumassem um tolo qualquer para biombo. Nos momentos em que o povo, de repente, se une, os tolos quase deixam de existir, exceto por aqueles vadios endinheirados – portanto, ladrões - que sempre estão contra o povo e o país.

Durante a ditadura, um insigne prelado disse uma vez que o governo era pecaminoso.

Pois nunca houve um governo tão pecaminoso quanto o atual – apesar de ser um páreo muito difícil na competição com o anterior: afinal, não é possível esquecer que Dilma começou o ataque à Previdência Social. Nem a pensão das viúvas escapou à sua adesão ao neoliberalismo. Nem o seguro desemprego. E foi ela e seu ministro Levy que propuseram igualar a idade mínima de mulheres e homens, para a aposentadoria, aos 68 anos (v. HP 31/08/2016).

Possivelmente, poucos, das centenas de milhares de brasileiros que saíram às ruas, ou dos milhões que apoiaram e apoiam o fim do roubo de seus direitos – e de seu dinheiro – sabiam que a expectativa de vida saudável do brasileiro, ao nascer, é apenas 65,5 anos (a dos homens é ainda menor: 63,1 anos).

Nós também não sabíamos. Quase por acidente, descobrimos esse número, na base de dados da Organização Mundial de Saúde.

Há quem diga, com bons fundamentos, que os números da Organização Mundial de Saúde, quanto à expectativa de vida saudável no Brasil, são muito otimistas. É possível.

Aqui nos contentaremos apenas em observar que esses números são uma média. Como notam cinco pesquisadores brasileiros, a expectativa de vida saudável no Nordeste e no Norte do país é, aos 20 anos, mais de seis anos menor (cf. Szwarcwald et al., "Inequalities in healthy life expectancy by Brazilian geographic regions: findings from the National Health Survey", International Journal for Equity in Health, 2016, 15:141).

Coisa semelhante acontece entre as áreas pobres e ricas das grandes cidades.

Porém, nenhum daqueles brasileiros que, na quarta-feira, de um jeito ou de outro, manifestaram seu repúdio ao roubo da Previdência, precisou conhecer esses dados. Todos sabiam – e sabem – de coisa ainda mais importante: que é direito de qualquer ser humano ter uma velhice digna.

Depois de anos e anos em que as aposentadorias foram cada vez mais rebaixadas, o atual governo chegou à solução final – semelhante àquela, de mesmo nome, preconizada por Adolf Hitler: acabar com o direito de se aposentar. Estender tanto a idade mínima como o tempo de contribuição, de tal forma que o trabalhador só possa, na melhor das hipóteses, se aposentar na véspera de morrer.

Mas isso o povo, na quarta-feira, já deu o sinal de que este país está em revolta. O que vem por aí é algo muito maior – muito mesmo – do que se viu na quarta-feira. Nós vamos varrer os ladrões deste país.

Ataque de Temer à aposentadoria é repudiado nas ruas de todo país

Atos contra a PEC 287, da Reforma da Previdência foram realizados nas capitais e centenas de municípios

O Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência, realizado nesta quarta-feira (15), começou com grande adesão no Rio de Janeiro. Mais de 100 mil pessoas tomavam pacificamente todas as faixas da avenida Presidente Vargas, no centro do Rio.

A multidão se concentrou na Candelária e caminhou até a Central do Brasil em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária. Sindicatos de diversas categorias também participaram do ato, além de professores, estudantes e trabalhadores não ligados a nenhuma entidade/organização.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra Michel Temer, as reformas e contra o desgoverno de Luiz Fernando Pezão.

Ao final da manifestação dezenas de milhares de trabalhadores, jovens, mulheres, idosos foram duramente reprimidos. Na chegada a Central do Brasil, os manifestantes foram recebidos por bombas da polícia de Pezão, grande aliado de Temer em seus ataques aos trabalhadores. A manifestação não recuou e alguns milhares ainda seguiram em ato protestando contra a repressão, indo até a Carioca. Lá, a repressão da Tropa de Choque aumentou, muitos foram obrigados a se obrigar no metrô, nos prédios, nas universidades próximas, como o IFCS. Um grupo de black blocs atirou rojões num destacamento da Guarda Municipal, que revidou com bombas de gás lacrimogêneo. Em resposta, a multidão passou a jogar pedras na polícia.

Além do Rio, foram registrados atos em ao menos 19 estados e no Distrito Federal nesta quarta.

SÃO PAULO

Na capital paulista, ao menos seis manifestações ocorreram nesta quarta. Houve protesto na Avenida das Nações Unidas, em frente ao Hospital das Clinicas, na Avenida Paulista (ocupação nos dois sentidos da via do MASP até o fim da avenida, na Consolação, na altura da Avenida Ipiranga, no Viaduto do Chá, (ocupação total nos dois sentidos), na Praça Charles Miller e na rua Aguiar de Barros, na altura da rua Genebra. A manifestação da Paulista foi a maior, com mais de 200 mil pessoas.

Policiais civis, federais, rodoviários, agentes penitenciários e guardas municipais do estado fizeram ato em frente à Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra a PEC 287. (ver matéria na página 5)

A população apoiou os protestos na cidade. Isabel Trajano de 47 anos, que iria sair da Zona Leste rumo ao centro e não conseguiu, disse entender o motivo da paralisação. “Não acho viável ter que contribuir 49 anos para poder me aposentar. Querem que eu apresente certidão de óbito para pleitear a aposentadoria?”, ironizou.

CURITIBA

Curitiba amanheceu sem ônibus e com boa parte do comércio central de portas fechadas. Trabalhadores de diversas categorias ocuparam as ruas. Não há dúvidas de que foi a maior manifestação desde que o governo Temer começou. Fizeram greve os metalúrgicos, motoristas e cobradores, carteiros, bancários, servidores das universidades federais, servidores municipais, professores e funcionários da educação estadual, professores da rede municipal, agentes penitenciários, policiais civis, servidores da saúde estadual e petroleiros. Os estudantes que ocuparam as escolas também marcaram presença na manifestação.

BELO HORIZONTE

Em Belo Horizonte os centros de saúde, escolas municipais e estações de metrô ficaram fechados. Algumas escolas privadas também pararam. A limpeza urbana parou por um dia. Os petroleiros protestaram em frente à Refinaria Gabriel Passos. Mais de 100 mil pessoas protestaram contra a reforma da Previdência na Praça da Estação em direção à Assembleia Legislativa.

SALVADOR

Na capital baiana houve protesto concentrou na Praça Campo Grande e seguiu em direção à Praça Castro Alves com mais de 50 mil pessoas, pela manhã na Avenida ACM houve outro também contra a reforma com mais de 10 mil pessoas.

FORTALEZA

Em Fortaleza sindicais de várias categorias fizeram ato no Centro da cidade com mais de 30 mil pessoas e paralisaram atividades. Os rodoviários interromperam o tráfego na Avenida do Imperador e Avenida Tristão Gonçalves. Houve protesto no Terminal do Papicu.

Ministério da Fazenda é ocupado

Manifestantes ocuparam, na madrugada desta quarta-feira (15), o Ministério da Fazenda, em Brasília. Segundo o Movimento Sem Terra (MST), a ação é, entre outros motivos, em protesto contra a reforma da Previdência. Além de sem-terras, o grupo também era constituído por agricultores familiares e sem-teto.

“Ocupamos o Ministério da Fazenda e pretendemos ficar até quando for possível porque não temos a intenção de negociar e fazer fotos com eles nos gabinetes. Viemos deixar nosso recado para o governo de que não iremos aceitar nenhum retrocesso de direitos”, afirmou Marcos Baratto, da direção nacional do MST.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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