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06/05/2017 | Adesão à greve geral para o país contra ataques a direitos

Em casa ou nas ruas, trabalhador parou! 

No dia 28 de abril, o Brasil parou em greve geral contra a tentativa de Temer de assaltar a aposentadoria dos trabalhadores e de transformar as leis trabalhistas em verdadeira lei da selva com uma “reforma” que acaba com os direitos garantidos pela CLT.

Em todo o país a adesão à greve foi massiva, com milhões de trabalhadores sem sair de casa, em protesto, e outros tantos milhares indo às ruas para manifestações e piquetes, com faixas e bandeiras, demonstrando que o trabalhador não aceitará o roubo do governo à Previdência e a seus direitos.

A paralisação dos transportes, que tingiu total ou parcialmente todos os estados, foi marcante na greve, além de diversos bloqueios em vias feitos por manifestantes. Ônibus não saíram da garagem em praticamente todas as capitais e diversas cidades do interior. O metrô de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, entre outros, também não circularam. Uma greve heroica, pois tudo isso mesmo diante de grande pressão por parte dos governantes e em muitos lugares por parte da Justiça, como nos casos de São Paulo e Minas Gerais, onde os Sindicatos foram ameaçados com liminares e multas em caso de paralisação.

A greve, que foi convocada pelas centrais sindicais, paralisou também as fábricas, montadoras, bancos, universidade e escolas, públicas e privadas, o comércio, eletricitários, portos, petroleiros, servidores da saúde, da Justiça, entre outras categorias.

Em São Paulo, o centro da cidade, terminais e avenidas, ficaram vazios durante todo o dia. Barricadas foram feitas logo no início da manhã, bloqueando a Avenida 23 de Maio, Dutra, Avenida Tiradentes e Marginal Tietê. Metalúrgicos de São Paulo fizeram atos nas portas das fábricas e ao final dia, manifestantes se reuniram na Avenida Paulista e, mais à noite, no Largo da Batata, onde uma multidão exigiu que o governo retire os projetos de reformas.

O mesmo ocorreu em outras capitais, com milhares indo às ruas em protestos, como em Fortaleza, Alagoas e Natal, que reuniu mais de 70 mil pessoas que tomaram a Avenida Salgado Filho.

A categoria dos petroleiros também aderiram massivamente. De acordo com o Sindipetro Litoral Paulista, “mais de 90% dos petroleiros do Litoral Paulista aderiram à greve nesta sexta-feira (28). Na RPBC e UTE/EZR, adesão foi de 100% no turno, adm e terceirizados. Os ônibus não chegaram à unidade seja pelo convencimento dos trabalhadores e pelos bloqueios realizados pelos manifestantes”. Também pararam os petroleiros do Sindipetro Pará/Amazônia/Manaus/Amapá, e São José dos Campos. No Rio, na Bacia de Campos, 50% das refinarias pararam, informou a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Na avaliação das centrais, esta, que foi a maior greve da história do país, foi só o começo das mobilizações para barrar os ataques de Temer. Para os dirigentes, a mobilização vitoriosa foi o pontapé inicial para a pressão que será agora em Brasília.

Para Ubiraci Dantas, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), “o dia 28 de abril foi um sucesso estrondoso que nos permite impedir que essas reformas avancem no Congresso”. “O objetivo central da greve foi contra a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e a terceirização e contra o desemprego, que está arrasando com o país”. “E agora nosso objetivo é ocupar Brasília. Ou ele retira essas reformas ou paramos de novo”, afirmou.

O presidente da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates (o Mancha), destacou que a resposta dos trabalhadores foi contundente: “Esse governo já desferiu outros ataques aos trabalhadores como a terceirização irrestrita, o congelamento dos investimentos sociais por vinte anos e a reforma do ensino médio. Agora quer impor o fim da aposentadoria e impor o fim dos poucos direitos trabalhistas garantidos na CLT. O sucesso da greve demonstra que os trabalhadores são contra essas medidas do governo e do Congresso envolvidos até o pescoço em corrupção. Esse Congresso da Odebrecht não tem nenhuma moral para votar medidas que mexem nos direitos dos trabalhadores”, ressaltou Mancha.

Também manifestou apoio à greve a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapf), com protestos em frente às superintendências e delegacias da Polícia Federal em todo o país. “A Fenapef é contra a reforma da Previdência como um todo. A proposta afeta aos policiais, todos os profissionais de segurança pública, professores, profissionais da saúde e trabalhadores em geral. Por isso, é que estamos unidos e vamos lutar por todos os que sairão prejudicados”, declarou o presidente da Federação, Luiz Boudens.

Fonte: Jornal Hora do Povo

 

 
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