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19/05/2017 | Chega de ladrões! Eleições gerais já!

Que Temer, Lula e Aécio dividam a mesma cela

Dono da JBS chutou o pau da barraca. Provas são fartas e irrefutáveis

Salvação do Brasil é ter eleições gerais já!

Eleição indireta com esse Congresso só aumenta a crise

A vaga de indignação que tomou o país na noite de quarta-feira – e que continua a se espraiar e a se avolumar – é o acontecimento mais saudável e esperançoso que poderia haver para um brasileiro. Está plenamente justificado – e é, mesmo, um imperativo de quem ama sua Nação, seu povo e sua família - todo aquele que manifestar a sua raiva, até o seu ódio, contra essa rataria que tomou o poder e o usa para devastar o Brasil, para sacrificar o povo, para deixá-lo sem direitos, sem emprego, sem casa e sem comida - enquanto rouba, saqueia, pilha, os recursos de todos, o dinheiro público e a propriedade pública.

Quando fechávamos esta edição, em função das confissões e gravações da JBS, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, fora afastado do Senado pelo STF e sua prisão preventiva estava para ser julgada; sua irmã, e parceira, Andreia Neves, fora presa. Temer escondia-se no Jaburu, dizendo aos seus auxiliares para "aparentar normalidade" (só rindo...) e Mantega – flagrado, mais uma vez, como receptador de propinas para o PT – ainda não conseguira ser encontrado. No Planalto, o ruído das buzinas era sem trégua. Em todo o Brasil, o povo, de várias formas, se manifestava contra o esgoto em que peemedebistas, tucanos e petistas tornaram a vida política e econômica do país.

Por tudo isso se vê a quem beneficiava a campanha de Lula e seus sequazes contra a Operação Lava Jato, a Polícia Federal, os procuradores, o juiz Moro e o Procurador Geral Janot.

O que somente quer dizer que, a rigor, na essência, a diferença moral de Lula para Temer é que o primeiro consegue enganar alguns trouxas – que, aliás, querem ser enganados, por isso enganam mais a si próprios do que Lula consegue enganar a eles. Fora isso, fora o círculo de trouxas, Temer e Lula são, essencialmente, a mesma porcaria. Para ambos, roubar, receber propinas para agir contra o país, contra o povo, perpetrar estelionatos eleitorais (e não somente eleitorais), é algo que "faz parte da política" - aliás, para eles, a política serve para isso. Pode existir algo mais vomitivo?

PREPOSTO

Que o elemento degenerado que ocupa a Presidência fosse exposto ao bater a carteira de um transeunte, seria menos escandaloso e muito menos nocivo para a coletividade do que acertar, como Temer fez - através de um preposto, Rocha Loures - uma propina de R$ 500 mil por semana, durante 20 anos (isto é, R$ 480 milhões), para que o Cade, supostamente encarregado de combater práticas monopolistas, privilegiasse um monopólio privado contra - e às custas - da Petrobrás.

Isso aconteceu em março e abril último, ou seja, quase anteontem, e depois de três anos de Operação Lava Jato. Tamanha impudência, tamanha corrupção, tamanha falta de vergonha para cuspir em cima das mais elementares normas sociais, tamanho desrespeito ao país e ao povo – mais ainda quando, ao mesmo tempo, se atenta contra os seus direitos trabalhistas e previdenciários – merece mais do que cadeia. Nessas horas, quase sente-se que a legislação brasileira, para esses casos, é muito branda.

Joesley Batista – um dos donos da JBS, que gravou suas conversas – disse a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao escroque Lúcio Funaro, ambos na cadeia, para que ficassem calados. Resposta de Temer: "tem que manter isso, viu?".

Cunha estava na reunião, no escritório de Temer, em que foi acertada a propina de US$ 40 milhões (40 milhões de dólares), para a cúpula do PMDB, com Márcio Faria, diretor da Odebrecht.

Funaro foi o portador do dinheiro da Odebrecht entregue, em 2014, no escritório de José Yunes (até há pouco, assessor especial de Temer), a pedido de Padilha e acertado com Marcelo Odebrecht pelo próprio Temer - segundo testemunho de Yunes, que recebeu o pacote com o dinheiro.

São duas amostras daquilo que Temer não quer que Cunha e Funaro falem.

Cunha, na cadeia, disse que "se a JBS delatar, será o fim da República". Temer diz, sobre o suborno de Cunha, "tem que manter isso, viu?".

Realmente, será uma grande nova para a História do Brasil se essa república dos Temer, Lula, Aécio, Cunha, e outros pulhas, acabar. Ela é tudo o que não temos de manter e não devemos manter. Sucintamente: ou o Brasil acaba com eles ou eles acabam com o Brasil.

Os Temer, Lula, Cunha & Aécio querem manter essa república de subornos, de pilhagem do dinheiro do povo, que é apenas um conluio de ladrões e de candidatos a feitores de escravos.

SAÍDAS

[Alguns acadêmicos petistas, tucanos ou assemelhados, recentemente apareceram com a tese de que estamos vivendo os últimos dias (o "esgotamento") da Nova República, inaugurada com o fim da ditadura e a eleição de Tancredo Neves. Não é verdade. O regime atual nada tem a ver com a Nova República de Tancredo, Ulysses e da Constituição de 1988. O problema é que o PT votou contra Tancredo, recusou-se a assinar a Constituição de 1988 e serviu de escada para a eleição de Collor - contra Ulysses e Brizola. Agora, tenta passar Temer, que eles mesmos colocaram no poder, como o "esgotamento" da Nova República, que petistas e tucanos já tinham liquidado há muito.]

É significativo que a maior parte do que dizem – assim como a mídia reacionária – são especulações de saídas para o país que não saem de coisa alguma. Eles não conseguem conceber nenhum mundo, nenhuma vida política, que não seja nos trilhos de uma república de propina. Não conseguem, porque interessa a eles que isso não mude. Alguns, especialmente cínicos ou débeis mentais, dizem até que a corrupção sistêmica é uma característica do povo brasileiro – exatamente quem não rouba nada, quem, pelo contrário, é roubado sistematicamente nesse regime, e, no entanto, mantém a sua honradez.

Nem mesmo são adeptos do mandamento daquele príncipe siciliano ("é preciso que tudo mude para que tudo continue do mesmo jeito"). O deles é diferente: é preciso que tudo continue igual para que eles continuem roubando o povo do mesmo jeito.

Em abril – no mês passado – a Operação Lava Jato já completara, no mês anterior, três anos. Somente em primeira instância, já havia 139 condenações, totalizando 1.415 anos de cadeia. Havia 269 réus por corrupção, lavagem e formação de quadrilha e 50 réus por improbidade administrativa. Além disso, 16 empresas foram agarradas por crimes e os pedidos de ressarcimento chegavam a R$ 38,1 bilhões.

Isto, em primeira instância, sem contar os 85 inquéritos – com 413 investigados – no STF.

Pois o que a confissão da JBS deixa claro é que precisamos de mais Lava Jato para limpar este país.

O Brasil, a partir de quarta-feira à noite, será decidido pelas ruas, pois somente o povo pode restituir a si o poder que lhe foi usurpado.

Com Executivo e Legislativo – heroicas exceções à parte – possuídos pela mentalidade do topa qualquer coisa por dinheiro, tornados em prostíbulos sem limites, onde tudo se compra e tudo se vende, dependendo do preço, que democracia existe neste país? Que legitimidade teria um governo saído de eleições indiretas por esse Congresso? Absolutamente nenhuma. Pois apenas poderia ter a fisionomia – moral, ideológica, política e até pessoal – dos seus eleitores no parlamento.

Não é apenas que esse governo não teria, como o de Temer, representatividade. Pior do que isso, seria, como o atual, um governo contra o povo e contra o país. Portanto, um governo que perderia, como o atual, a capacidade de governar – portanto, nem seria um governo, como o de Temer não é mais.

Daí a necessidade de recorrer ao povo – de convocar eleições gerais para varrer o excremento corrupto e estabelecer algum grau de democracia: um novo governo e um novo Legislativo.

Fonte: Hora do Povo/Carlos Lopes

 

 
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