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18/05/2017 | Parente corta investimentos e privatiza Campo do Azul√£o

Objetivo é “monetizar uma significativa descoberta de gás - perto de excelente infraestrutura e boas estradas” - entregando a preço de banana para os estrangeiros

O plano institucional de privatização da Petrobrás dá mais alguns passos com o anúncio da venda de 100% da participação da estatal no Campo de Azulão, na Bacia Amazonas, segundo fato relevante divulgado pela empresa na noite de segunda-feira (15).

O chamado plano de desinvestimentos da Petrobrás, iniciado na gestão de Dilma e agora objetivo obstinado de Pedro Parente, presidente do Conselho da estatal indicado por Michel Temer, já entregou parte importante do patrimônio da companhia alegando seu endividamento.

O campo de Azulão, agora na mira das empresas estrangeiras, “possui significativo volume de gás natural”, segundo nota descarada da direção da empresa anunciando a sua entrega. O campo de Azulão “consiste numa oportunidade para desenvolver e monetizar uma descoberta de gás, perto de excelente infraestrutura, em região acessível por boas estradas e perto de infraestrutura para transmissão de energia”, diz a nota.

Além da exploração do campo, estudos afirmam que há viabilidade para a construção de uma termelétrica a gás na região, que também serão entregues ao vencedor da disputa pelo negócio. Para garantir o retorno máximo e o investimento zero, típico do parasitismo privatista, a nota da empresa ainda diz que os governos estadual e federal “usualmente oferecem expressivos benefícios para companhias operando na região”.

Desde a descoberta do campo pela Petrobrás, em 1999, foram perfurados três poços na região, dos quais dois foram considerados com grande potencial de produção.

As únicas exigências adiantadas pela Petrobrás no fato relevante que divulgou a venda é que os potenciais compradores comprovem ter sido concessionárias de exploração e produção de petróleo e gás nas bacias do Amazonas e possuam capacidade instalada de no mínimo 200 MWh de geração termelétrica no Brasil.

O plano de desmonte da Petrobrás prevê corte nos investimentos, vendas de ativos e demissão de funcionários. Recentemente, a previsão de investimentos em 2017 já deprimida foi reduzida mais uma vez, para US$ 17 bilhões, ante os US$ 20 bilhões previstos em março.

Com relação à venda de ativos, a direção da Petrobrás não poupa nem os empreendimentos mais lucrativos, como o pré-sal e o setor de distribuição. Apenas neste ano, a empresa negociou, especialmente com empresas estrangeiras, a BR Distribuidora, campos de Baúna e Tartaruga Verde do pré-sal e mais um conjunto de campos terrestres. O plano prevê arrecadar com as vendas de ativos US$ 21 bilhões, o que não chega nem perto do que este patrimônio realmente vale e representa de retorno não só para a Petrobrás, mas para o país.

Além disso, parte da redução de custos prevê a demissão de funcionários e redução da jornada de trabalho. Desde 2014, 14.500 trabalhadores deixaram a companhia em programas de demissão voluntária, fazendo com o que número de funcionários da Petrobrás fosse reduzido em 17% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período de 2016.

A real condição do endividamento da Petrobrás é bastante questionável e apenas reforça que o objetivo principal de Parente na Petrobrás é destruí-la até que a sua venda definitiva seja justificável.

“No Brasil de hoje vemos as autoridades do governo federal, da Petrobrás e seus porta vozes da grande mídia repetirem mentiras sobre a Petrobrás. Mas elas não se sustentam e o tempo revela que são falsas”, afirma o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Felipe Coutinho.

“O endividamento da Petrobrás tem sido uma das principais justificativas oficiais para a privatização fatiada da estatal, com alienação de mais de US$ 34 bilhões até 2021”. Porém, segundo a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEIN) para cada US$ 1000 investidos pela Petrobrás, são gerados cerca de US$ 650 em investimentos de outros setores, o que demonstra a importância dos investimentos da Petrobras para o país.

Fonte: Hora do Povo/Priscila Casale

 

 

 
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