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14/06/2017 | A luta pelo Brasil em um novo partido

JOÃO VICENTE GOULART (*)

Obrigado a todos os que manifestaram apoio a esta minha nova caminhada.

Todos sabem que depois de muitos anos de militância no PDT, não foi mais possível minha permanência naquele que outrora fora meu partido, e do qual sou fundador, dado a aliança espúria que continua a manter com o verdugo da história de meu pai, o Presidente Jango. Foi o governador Rollemberg que cassou o terreno do Memorial da Democracia e Liberdade, obra última de Niemeyer para homenagear nossa Constituição golpeada em 1964, com o qual, lamentavelmente meu antigo partido continua a manter essa aliança.

Enquanto a Nação devolve o diploma de presidente da Republica, cassado pelo ditadura, enquanto a Nação presta as honras de chefe de Estado que Jango não teve na sua morte no exílio, enquanto o Congresso Nacional anula a cessão que declarava vaga a presidência da República em 1964, o governo de Brasília cassa Jango pela segunda vez, ao cassar o terreno que homenagearia o povo brasileiro e sua democracia, com o nome do Presidente João Goulart; tendo lamentavelmente, os trabalhistas do PDT, que continuam mantendo a aliança com os traidores da história de meu pai, um homem dos trabalhadores brasileiros. Não podemos a esta altura, abandonar a boa luta, e não o faremos.

O Partido Pátria Livre está nos dando a oportunidade de restabelecer com dignidade a luta nacionalista por um Brasil mais brasileiro, menos espoliativo e com melhor distribuição de riquezas. Somos um partido que ainda não temos deputados ou senadores no Congresso Nacional, somos um partido sem compromisso com a velha política, queremos uma transformação de nossa sociedade com reformas estruturais na economia, nos meios de produção, nas relações midiáticas, no controle de capital estrangeiro, na nacionalização de nossas riquezas estratégicas, do nosso subsolo, da Amazônia e da Amazônia azul.

Queremos a retomada de nossa soberania através da participação efetiva de nosso povo, via a democracia participativa, com os sindicatos nas relações entre capital e trabalho, com conselhos governamentais de políticas públicas nas ações do Estado, com a constante atuação dos movimentos sociais na participação democrática de produção e gestão dos recursos públicos, com a transparência que exige o patrimônio publico, com o respeito à autoridade que emana do nosso povo, dono de seu destino e altivez.

Compromisso com a reforma política. Com a reforma agraria, paralisada há anos por ingerência dos latifundiários do setor primário. Da reforma bancaria, para melhor distribuição do crédito e principalmente pela regulamentação em grande escala do microcrédito. O crédito dos bancos oficiais pertencem ao desenvolvimento social.

Lutar pela reforma tributária no sentido reverso do que hoje temos como modelo, desindexando o percentual do imposto de renda sobre os assalariados e criando o imposto ao patrimônio, tributo mais do que justo, seja pago pelas grandes corporações.

O Partido Pátria Livre é um instrumento de luta, formador e valorizador dos quadros nacionalistas, trabalhistas, socialistas e humanitários.

Tenho hoje, meus amigos, a certeza que ainda me restam anos de luta pela democracia, pela justiça social e pelos direitos humanos do povo brasileiro, tendo forças ainda para contribuir com esta transformação revolucionaria que esperamos acontecer desde o governo Jango, através das "Reforma de Base".

Não acredito que com conceitos meritocráticos poderemos vencer as injustiças que pesam sobre as desigualdades de nosso povo. Não acredito que o mercado dará chance a uma educação pública e gratuita para todas as crianças e jovens brasileiras, mediante a privatização da educação basica. Não acredito que a saúde publica, possa ser por seguros médicos privados populares e ou por administrações de OS´s que nada mais são, que terceirizações da administração com recursos publicos. Não acredito que o desenvolvimento da ciência e tecnologia, ficará em mãos da Nação enquanto o lucro prioriza nossa indústria química e farmacêutica com patentes estrangeiras extraídas de nossa biodiversidade.

Serenamente escolhi o programa do Partido Pátria Livre, como um instrumento de luta de transformação nacionalista para o Brasil, nesta nova etapa de minha vida, pelo seu programa e pelo seu exemplo de luta na resistência à ditadura.

Vamos lá!

Lutar e morrer pela Pátria não é pouca sorte para ninguém!

Enquanto houver esperança haverá luta!

O caminho é a Pátria Livre!

(*) Escritor-poeta-brasileiro. Texto publicado na página do Instituto Presidente João Goulart.

 

 

 
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